domingo, 25 de janeiro de 2015

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 3,31-35 - 27.01.2015 - Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

Ó Deus, que em cada momento do meu dia, eu compreenda o teu projeto de amor
e possa caminhar segundo a tua vontade.
3ª-feira da 3ª Semana Tempo Comum
Cor: Verde

Evangelho - Mc 3,31-35

Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 3,31-35
Naquele tempo:
31Chegaram a mãe de Jesus e seus irmãos.
Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo.
32Havia uma multidão sentada ao redor dele.
Então lhe disseram:
'Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura.'
33Ele respondeu:
'Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?'
34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor,
disse: 'Aqui estão minha mãe e meus irmãos.
35Quem faz a vontade de Deus,
esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Mc 3, 31-35

Somos convidados pelo evangelho de hoje a descobrir a verdadeira família à qual nós pertencemos: a família dos filhos e filhas de Deus, que procura conhecer e por em prática a vontade do Pai e participar do seu projeto de construção do mundo novo, da civilização do amor, sinal do Reino definitivo. Participar dessa verdadeira família não significa negar a nossa família terrena, nem os nossos relacionamentos sociais e afetivos, mas subordinar essas duas realidades à realidade maior, que é a família dos filhos e filhas de Deus, fazendo, assim, com que haja uma verdadeira hierarquia de valores na nossa vida, que subordina o temporal ao eterno.
Fonte CNBB



A MÃE E IRMÃOS DE JEUS Mc 3,31-35 
HOMILIA

Pessoas não católicas vivem dizendo que Nossa Senhora teve outros filhos além de Jesus Cristo, pois a Bíblia refere-se aos “irmãos de Jesus”. O monge beneditino Dom Estêvão Bettencourt, com todo o seu conhecimento de exegese das Sagradas Escrituras, esclarece: São sete os textos do Novo Testamento que mencionam irmãos de Jesus: Mc 6,3; Mc 3,31-35; Jo 2,12; Jo 7,2-10; At 1,14;Gl 1,19; 1Cor 9,5. Chamavam-se, conforme Mc 6,3: Simão, Tiago, José e Judas. O aramaico, que os judeus falavam no tempo de Jesus e que os evangelistas supõem, era uma língua pobre em vocábulos. A palavra aramaica e hebraica “irmão” podia significar não somente os filhos dos mesmos genitores, mas também os primos, ou até parentes mais distantes. No Antigo Testamento, 20 passagens atestam esse significado amplo de “irmão”, como por exemplo: Gn 13,8 (“Abraão disse a seu sobrinho Lot, filho do seu irmão: ‘Somos irmãos’…”), Gn 29, 12-15; Gn 31, 23; 2Rs 10,13; Jz 9,3; 1Sm 20,29. E ainda pode-se conferir em 1Cor 23,21-23; 1Cor 15,5; 2Cor36,10; Mt 27,56 (“Estavam ali [no Calvário], a observar de longe…, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu”). Essa Maria, mãe de Tiago e de José, não é a esposa de São José, mas de Cléofas, conforme Jo 19,25. Era também a irmã de Maria, mãe de Jesus, como se lê em Jo 19,25: “Estavam junto à cruz de Jesus, a sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria (esposa) de Cleofas, e Maria de Magdala. Pois bem, os nomes de Cléofas e Alfeu designam em grego a mesma pessoa, pois são formas gregas do nome aramaico Claphai. Ora, o mais antigo historiador da Igreja, Hegesipo, conta-nos que Cléofas ou Alfeu era irmão de São José. Daí se depreende que Cléofas e Maria de Cléofas tiveram como filhos Tiago, José, Judas e Simão, os quais, portanto, eram primos de Jesus. E o fato de aparecerem acompanhando Maria, embora não fossem seus filhos mas sobrinhos, explica-se porque no judaísmo a mulher não costumava apresentar-se desacompanhada de alguém do sexo masculino. Ora, julga-se que são José tenha falecido antes do início da vida pública de Jesus, e quando este saiu de casa, Maria passou a contar com a companhia dos sobrinhos. Ainda: o termo “primogênito” não quer dizer que Maria tenha tido outros filhos depois do primeiro, Jesus. Primogênito pode dizer simplesmente “o bem amado”, pois o primogênito é certamente aquele filho, no qual, durante certo tempo, se concentra todo amor dos pais. Além disso, os hebreus o julgavam alvo de especial amor da parte de Deus, pois devia ser consagrado a Ele desde os seus primeiros dias.

Mas a final quem são os irmãos de Jesus? Ser irmão de Jesus passa por uma unidade com a Sua Pessoa. Passa por uma evidente numa opção de vida, numa instauração de uma família, como também na vida; viver a vida com adesão ao projeto de Deus e na construção de um mundo novo que rompa com as barreiras carnais e nos abre a laços espirituais.

Portanto, as palavras de Jesus questionando quem é sua mãe e quem são seus irmãos têm o sentido de revelar que o dom de Deus, nele presente, não se restringe a laços consangüíneos privilegiados. Jesus substitui estes laços estabelecidos na tradição pelos laços do amor verdadeiro e sem fronteiras, que vão muito além dos limites de família ou raça. A verdadeira família é aquela constituída por pessoas que, fazendo a vontade de Deus, tornam-se discípulas de Jesus. A família consangüínea, pelo amadurecimento do amor, abre-se e solidariza-se com os mais excluídos e empobrecidos.

Disso tudo, nós concluímos que Maria Santíssima só teve mesmo o seu Divino Filho, Jesus Cristo. E que podemos e devemos chamá-la com o nome de Sempre Virgem Maria. Está é a razão da nossa fé a qual nos orgulhamos de professar para podermos vivê-la e transmiti-la com firmeza aos outros de geração em geração.
Fonte Canção Nova

sábado, 24 de janeiro de 2015

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 10,1-9 - 26.01.2015 - A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.

Enviai, Senhor, operários para a vossa messe, pois a messe é grande e os operários são poucos.
São Timóteo e São Tito, bispos . Memória
Cor: Branco

Evangelho - Lc 10,1-9

A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 10,1-9

Naquele tempo:
1O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos
e os enviou dois a dois, na sua frente,
a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir.
2E dizia-lhes:
"A messe é grande,
mas os trabalhadores são poucos.
Por isso, pedi ao dono da messe
que mande trabalhadores para a colheita.
3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
4Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias,
e não cumprimenteis ninguém pelo caminho!
5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro:
`A paz esteja nesta casa!'
6Se ali morar um amigo da paz,
a vossa paz repousará sobre ele;
se não, ela voltará para vós.
7Permanecei naquela mesma casa,
comei e bebei do que tiverem,
porque o trabalhador merece o seu salário.
Não passeis de casa em casa.
8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos,
comei do que vos servirem,
9curai os doentes que nela houver
e dizei ao povo:
`O Reino de Deus está próximo de vós'".
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



REFLEXÃO
A missão dada é para a colheita, não para o plantio - Lc 10,1-9

- Assim como na escolha dos Doze, é o Senhor quem toma a iniciativa na escolha dos setenta e dois discípulos. O texto parece sugerir que a missão primeira dos setenta e dois é preparar as pessoas para acolherem o Senhor, que passará em seguida por toda a cidade e lugar, pois o evangelista observa que o Senhor os enviou à sua frente. O número “setenta e dois” é significativo e indica a universalidade da missão cristã. Segundo o livro do Gênesis, o número das nações da terra é setenta. A missão dada é para a colheita, não para o plantio. Há de se supor que o “agricultor” que plantou a boa semente frutificada seja Deus. As orientações dadas aos setenta e dois são para essa missão universal da colheita. Por palavras e gestos, eles devem anunciar a proximidade do Reino de Deus. A missão não é fácil; os discípulos vão enfrentar dificuldades e resistências, mas sua vida está nas mãos de Deus, em quem eles devem confiar. O despojamento, tendo em vista a confiança no Senhor e a disponibilidade, é exigência da missão, pois é preciso que os destinatários da Boa-Nova vejam realizada nos discípulos a mensagem que eles transmitem.
Pe. Carlos Alberto Contieri
Fonte paulinas



A MISSÃO DOS SETENTA E DOIS Lc 10,1-9
HOMILIA

A paz de Deus excede ao nosso conhecimento humano, porém, mesmo assim, todos nós somos enviados a abrir o caminho para o Senhor que deseja levar a Sua paz ao mundo. Jesus é a paz e através de nós Ele quer entrar nas casas e nos corações. A nossa missão é muito importante: somos trabalhadores da messe do Senhor, missionários do Seu amor.
O evangelho escreve setenta e dois os escolhidos e outros, significa dizer que esses setenta e dois somos todos nós que chamados para a missão, devemos ter firme o propósito de evangelizar toda criatura sem medo, sem preocupação, totalmente desprendido dos afazeres domésticos ou profissionais. Mas Jesus faz uma alerta que a missão não é fácil, faz-se necessário tomar algumas precauções, pois iremos encontrar sempre adversários por onde passarmos. Contudo não podemos parar, pois o Reino de Deus está próximo.
Cada um de nós é chamado a ser mensageiro da paz de Jesus e Ele nos ensina a levar a paz deixando de lado tudo o que pesa e complica a nossa vida. Bolsa, sacola, sandálias significam as coisas que acumulamos dentro de nós e que prejudicam o nosso relacionamento com Deus e com os irmãos: ódio, ressentimento, discriminação, julgamentos, riquezas, apegos etc.. Ele nos envia e nos orienta a fim de que o nosso trabalho seja frutuoso e não nos percamos no meio do caminho.
A nossa postura, como anunciadores da Palavra, deve ser de prudência, pois, na nossa trajetória nós iremos enfrentar lobos ferozes, isto é, pessoas que estão a serviço do mal. Porém a nossa confiança no Senhor nos fará vencer todos os desafios. A nossa vida com as nossas ações do dia a dia deve ser o itinerário que nós percorremos para manifestar Jesus no mundo, pois a todo o momento, e em qualquer circunstância, nós encontramos os doentes, os necessitados da paz, os carentes de amor e de atenção.
A essas pessoas é que Jesus nos envia. Ele nos dá a paz e providencia tudo o quanto for preciso para que a nossa missão tenha sucesso. Por isso não podemos perder tempo: o dia é hoje e a hora é agora e talvez nem precisemos ir muito longe da nossa casa.
Será que não existe aí perto de você alguém que precisa conhecer a Salvação e a cura? – Para você é difícil falar de Jesus para alguém? – Você tem visitado o coração de alguém que precisa de paz? Como você tem feito isto? Você tem deixado de lado os seus conceitos humanos?
Pai, que a perspectiva de dificuldades a serem encontradas no apostolado não me faça recuar da missão de preparar o mundo para acolher teu Filho Jesus.
Fonte Padre BANTU SAYLA

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 1,14-20 - 25.01.2015 - Convertei-vos e crede no Evangelho!

Senhor, vos agradecemos pelas vocações que chamastes para servir o vosso povo.
3º DOMINGO Tempo Comum
Cor: Verde

Evangelho - Mc 1,14-20

Convertei-vos e crede no Evangelho!

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 1,14-20

14Depois que João Batista foi preso,
Jesus foi para a Galiléia,
pregando o Evangelho de Deus e dizendo:
15'O tempo já se completou
e o Reino de Deus está próximo.
Convertei-vos e crede no Evangelho!'
16E, passando à beira do mar da Galiléia,
Jesus viu Simão e André, seu irmão,
que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.
17Jesus lhes disse:
'Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens'.
18E eles, deixando imediatamente as redes,
seguiram a Jesus.
19Caminhando mais um pouco,
viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu.
Estavam na barca, consertando as redes;
20e logo os chamou.
Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os
empregados, e partiram, seguindo Jesus.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



REFLEXÃO
A conversão é fé na palavra e na pessoa de Jesus Cristo - Mc 1,14-20

O livro do profeta Jonas é utilizado nos evangelhos de Lucas e Mateus; ambos os evangelistas apresentam os ninivitas como exemplo de conversão (Mt 12,41; Lc 11,29-32): eles ouviram a pregação de Jonas e deram provas do desejo de converterem-se. Os contemporâneos de Jesus, ao contrário, resistem a ouvi-lo e, por isso, não podem reconhecer nas obras e palavras de Jesus a presença de Deus. Em Mt 12,40, Jonas, que passou três dias no ventre de uma baleia, é apresentado como figura de Cristo, que passou três dias no sepulcro, antes de ressuscitar dos mortos. Mas o mais importante no trecho do livro do profeta Jonas é o acento na misericórdia de Deus, que se estende a todos os povos, mesmo aos inimigos de Israel. O Deus de Israel é um Deus sempre pronto a perdoar (cf. Jr 18,7-8), um Deus que deseja que todos se convertam. No evangelho, depois da prisão de João Batista, Jesus começa o seu ministério público. Há uma distinção entre o tempo do Batista e o de Jesus, do qual João é o precursor. Termina o tempo da promessa; é inaugurado, agora, com Jesus, o tempo da realização da promessa. Mas a missão de Jesus começa dando continuidade ao convite de conversão do Batista. Na boca de Jesus, a conversão tem conteúdo bastante preciso: trata-se de crer no Evangelho. A conversão é, então, fé na palavra e na pessoa de Jesus Cristo, Filho de Deus. Trata-se de um convite universal, dirigido a todos os povos, a abrirem-se à palavra de Jesus para reconhecerem na sua obra o mistério de Deus. Sem essa confiança, não é possível reconhecer em Jesus o tempo da visita salvífica de Deus nem colher os frutos da salvação. Ao convite à conversão, segue-se o primeiro relato de vocação do evangelho de Marcos, baseado em 1Rs 19,19-21. O olhar penetrante de Jesus, que conhece a pessoa para além de qualquer aparência, pois conhece o coração de cada uma, precede o chamado. O chamado sucessivo feito às duas duplas de irmãos deve ser considerado na sua unidade. Nas duas ocasiões são postas condições válidas e exigidas de todos os que respondem positivamente ao apelo do Senhor. Para seguir Jesus é preciso desapego das coisas materiais e dos laços afetivos. Sem essa liberdade não será possível viver a vida de Jesus Cristo. O advérbio de tempo utilizado mostra a urgência da resposta que deve ser generosa, sem condições da parte daquele que é chamado e aceita o convite.
Fonte Pe. Carlos Alberto Contieri Paulinas



O CHAMAMENTO DOS DISCÍPULOS Mc 1,14-20
HOMILIA

João Batista foi preso por Herodes que, como os chefes religiosos de Israel, temia a popularidade de João e a contestação que fazia do sistema opressor sob o qual o povo vivia. Após a prisão, Jesus retorna à Galileia, que é um território predominantemente gentílico. Ali, Jesus desenvolve seu ministério com o mesmo anúncio de João Batista: a proximidade do Reino e da conversão à justiça.

Marcos, bem como Mateus e Lucas, narram o chamado dos primeiros discípulos às margens do Mar da Galiléia. O Evangelho de João narra este chamado já na ocasião do Batismo de Jesus, quando alguns discípulos de João Batista se dispõem a seguir Jesus. O chamado, narrado em estilo sumário, na realidade se fez em um clima de diálogo e conhecimento mútuo. Assim como Jesus abandonou sua rotina de vida em Nazaré, também seus discípulos abandonam seu antigo sistema de vida, não para fugirem do mundo, mas para iniciarem uma nova prática social alternativa, de justiça e paz.

Segundo a narração de Marcos (1, 16-29) e de Mateus (4, 18-22), o cenário da vocação dos primeiros Apóstolos é o lago da Galileia. Jesus acabara de iniciar a pregação do Reino de Deus, quando o seu olhar se pousou sobre dois pares de irmãos:  Simão e André, Tiago e João. São pregadores, empenhados no seu trabalho quotidiano. Lançam as redes, consertam-nas. Mas outra pesca os aguarda. Jesus chama-os com decisão e eles seguem-nO imediatamente: agora serão “pescadores de homens” (cf. Mc 1, 17; Mt 4, 19). Lucas, ainda que siga a mesma tradição, faz uma narração mais elaborada (5, 1-11). Ele mostra o caminho de fé dos primeiros discípulos, esclarecendo que o convite para o seguimento lhes chega depois de terem ouvido a primeira pregação de Jesus e experimentam os primeiros sinais prodigiosos por ele realizados. Em particular, a pesca milagrosa constitui o contexto imediato e oferece o símbolo da missão de pescadores de homens, que lhes foi confiada. O destino destes “chamados”, de agora para o futuro, estará intimamente ligado ao de Jesus. O apóstolo é um enviado mas, ainda antes, um “perito” em Jesus.

Precisamente este é o aspecto realçado pelo evangelista João desde o primeiro encontro de Jesus com os futuros Apóstolos. Aqui o cenário é diferente. A presença dos futuros discípulos, provenientes também eles, como Jesus da Galileia para viver a experiência do batismo administrado por João, esclarece o seu mundo espiritual. Eram homens na expectativa do Reino de Deus, desejosos de conhecer o Messias, cuja vinda estava anunciada como iminente.

Para eles, é suficiente a orientação de João Batista que indica em Jesus o Cordeiro de Deus (cf. Jo 1, 36), para que surja neles o desejo de um encontro pessoal com o Mestre. As frases do diálogo de Jesus com os primeiros dois futuros Apóstolos são muito expressivas. À pergunta: “Que procurais?”, eles respondem com outra pergunta: “Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?”. A resposta de Jesus é um convite: “Vinde e vede” (cf. Jo 1, 38-39). Vinde para poder ver. A aventura dos Apóstolos começa assim, como um encontro de pessoas que se abrem reciprocamente. Começa para os discípulos um conhecimento direto do Mestre. Vêem onde mora e começam a conhecê-lo. De facto, eles não deverão ser anunciadores de uma ideia, mas testemunhas de uma pessoa. Antes de serem enviados a evangelizar, deverão “estar” com Jesus (cf. Mc 3, 14), estabelecendo com ele um relacionamento pessoal. Sobre esta base, a evangelização não será mais do que um anúncio daquilo que foi experimentado e um convite a entrar no mistério da comunhão com Cristo (cf. 1 Jo 13).

A quem serão enviados os Apóstolos? No Evangelho parece que Jesus limita a sua missão unicamente a Israel: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15, 24). De modo análogo parece que ele circunscreve a missão confiada aos Doze: “Jesus enviou estes Doze, depois de lhes ter dado as seguintes instruções: “Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel”” (Mt 10, 5s.). Uma certa crítica moderna de inspiração racionalista tinha visto nestas expressões a falta de uma consciência universalista do Nazareno. Na realidade, elas devem ser compreendidas à luz da sua relação especial com Israel, comunidade da aliança, em continuidade com a história da salvação. Segundo a expectativa messiânica as promessas divinas, imediatamente dirigidas a Israel, ter-se-iam concretizado quando o próprio Deus, através do seu Eleito, reunisse o seu povo, como faz um pastor com o rebanho: “Eu virei em socorro das minhas ovelhas, para que elas não mais sejam saqueadas… Estabelecerei sobre elas um único pastor, que as apascentará, o meu servo David; será ele que as levará a pastar e lhes servirá de pastor. Eu, o Senhor, serei o seu Deus, e o meu servo David será um príncipe no meio delas” (Ez 34, 22-24). Jesus é o pastor escatológico, que reúne as ovelhas perdidas da casa de Israel e vai à procura delas, porque as conhece e ama (cf. Lc 15, 4-7 e Mt 18, 12-14; cf. também a figura do bom pastor em Jo 10, 11ss.). Através desta “reunião” o Reino de Deus é anunciado a todas as nações: “Manifestarei a minha glória entre as nações, e todas me verão executar a minha justiça e aplicar a minha mão sobre eles” (Ez 39, 21). E Jesus segue precisamente este caminho profético. O primeiro passo é a “reunião” do povo de Israel, para que assim todas as nações, chamadas a reunirem-se na comunhão com o Senhor, possam ver e crer.

Assim os Doze, chamados a participar na mesma missão de Jesus, cooperam com o Pastor dos últimos tempos, indo também eles, em primeiro lugar, até às ovelhas perdidas da casa de Israel, isto é, dirigindo-se ao povo da promessa, cuja reunião é o sinal de salvação para todos os povos, o início da universalização da Aliança. Longe de contradizer a abertura universalista da ação messiânica do Nazareno, a inicial limitação a Israel da sua missão e da dos Doze torna-se assim o seu sinal profético mais eficaz. Depois da paixão e da ressurreição de Cristo este sinal será esclarecido: o carácter universal da missão dos Apóstolos tornar-se-á mais explícito. Cristo enviará os Apóstolos “a todo o mundo” (Mc 16, 15), a “todas as nações” (Mt 28, 19); (Lc 24, 47), “até aos extremos confins da terra” (At 1, 8). E esta missão continua. Continua sempre o mandato do Senhor de reunir os povos na unidade do seu amor. Esta é a nossa esperança e este é também o nosso mandato: contribuir para esta universalidade, para esta verdadeira unidade na riqueza das culturas, em comunhão com o nosso verdadeiro Senhor Jesus Cristo.
Fonte Canção Nova

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 3,20-21 - 24.01.2015 - Os parentes de Jesus diziam que estava fora de si.

Senhor, orientai meu coração, para que eu esteja sempre atento e disponível ao serviço dos meus irmãos.
Sábado da 2ª Semana Tempo Comum
S. Francisco de Sales BDr, memória
Cor: Branco

Evangelho - Mc 3,20-21

Os parentes de Jesus diziam que estava fora de si.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 3,20-21

Naquele tempo:
20Jesus voltou para casa com os discípulos.
E de novo se reuniu tanta gente
que eles nem sequer podiam comer.
21Quando souberam disso,
os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo,
porque diziam que estava fora de si.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Mc 3, 20-21

A família humana pode fazer com que toda prática de uma pessoa seja vista apenas com olhos humanos, e o resultado disso é a interpretação incorreta dos fatos que devem ser analisados à luz da fé. Os parentes de Jesus não foram capazes de ver o dedo de Deus agindo, e, por isso, achavam que Jesus estava fora de si. Mas o povo foi capaz de ver o que realmente estava acontecendo, pois os corações de todos estavam abertos ao momento presente e à ação do próprio Deus, procurando ver a vida e os ensinamentos de Jesus à luz da fé. Por isso, o povo se reunia em número cada vez maior em torno de Jesus, de modo que ele e seus discípulos nem sequer podiam comer.
Fonte CNBB



Jesus não se omite em ajudar quem o procura Mc 3,20-21
HOMILIA

Marcos, no início de seu evangelho, apresentou a tensão entre “sinagoga”, da qual Jesus se afasta, e “casa”, que passa a ser o local de reunião das novas comunidades em torno de Jesus.

Vemos nos textos de Mc 3,31-35 que Jesus se encontra dentro da casa, seus parentes do lado de fora e a multidão está ao seu redor ouvindo-o. Estão reunidos os discípulos e discípulas em torno de Jesus, como também as multidões, que são pessoas do povo, capazes de deixar tudo e seguí-lo: são os aleijados, coxos, pobres, doentes que estão “como ovelhas sem pastor (Mc 6,34)”.

Participar da casa é participar do banquete da vida, da aproximação com o outro como espaço de diálogo e compreensão. Para poder entrar na casa é preciso romper com o sistema de opressão que há em nossa sociedade, na medida em que faço do outro instrumento da minha vontade e o coloco em disputa com os demais. A casa é o lugar apropriado para desenhar a proposta que Jesus deseja anunciar e promover o sistema de relação social.

“…Um profeta só é desprezado em sua pátria, em sua parentela e em sua casa” (Mc 6,4) . As pessoas capazes de compreender a missão de Jesus são aquelas que fazem a experiência d’Ele. Os mais próximos se afastam diante da missão de Jesus, enquanto os mais distantes se aproximam d’Ele e de sua missão. Aproximar da missão é encontrar-se dentro da casa e reconhecer em Jesus a presença do Reino de Deus. É preciso compreender os gestos e não ter o coração endurecido. Os que estão fora da casa são os adversários que querem interromper a missão, concordando com uma ideologia que domina as pessoas e que controla o sistema opressor.

No relato de Marcos 3,20-21 encontramos que o “estar na casa” é o principal foco e eixo de partida, enquanto que nos versículos 31-35, o grande eixo é a pergunta: “ quem é minha mãe e meus irmãos?” Jesus se sente próximo e familiar a todos que se deixam envolver por seu projeto. O grau de parentesco é como que um título para que se possa fazer parte da nova comunidade, que requer acima de tudo fidelidade. Enquanto anteriormente a preocupação da família era a incompreensão da missão de Jesus, que tinha a família como eixo estrutural, agora Jesus nos diz: “…eis a minha mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”(Mc 3,34-35), procurando derrubar a ordem social e provocar ruptura com sua família de sangue. “Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando do lado de fora…”(Mc 3,31) enquanto que a multidão se encontra sentada em torno do lado de Jesus “(Mc 3,32).

Jesus se recusa a aceitar quem não aceita sua missão !!!

Perante uma atitude de vida incoerente, na qual o projeto de Deus não é assumido e a discriminação se torna mais forte, Jesus faz um questionamento: “quem é minha mãe e meus irmãos?” ( Mc 3,33). Se eles não conseguem aceitar a missão de Jesus, Este também não o reconhece como parente. É preciso ser obediente a Deus, porque no centro está o ser humano e suas necessidades. Estar sentado à sua volta é estar atento aos seus ensinamentos “Enquanto caminhavam, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e ficou escutando a sua palavra. Marta estava ocupada com muitos afazeres. Aproximou-se e falou: «Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha ajudar-me!» O Senhor, porém, respondeu: «Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; porém, uma só coisa é necessária, Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.»”(Lc 10,38-42). É a unidade em Jesus que se deve fazer evidente numa opção de vida, numa instauração de uma família, como também na vida; viver a vida com adesão ao projeto de Deus e na construção de um mundo novo, no qual a esperança nos mova para frente para podermos chegar “…a uma terra fértil e espaçosa, terra onde corre leite e mel”.

O evangelista Marcos nos deixa claro aqui que o importante é entrar na casa e conversar, dialogar e participar da vida com o(a) outro(a). Assim, a comunidade do discipulado será a nova família que queremos formar.

Portanto, as palavras de Jesus questionando quem é sua mãe e quem são seus irmãos têm o sentido de revelar que o dom de Deus, nele presente, não se restringe a laços consanguíneos privilegiados. Jesus substitui estes laços estabelecidos na tradição pelos laços do amor verdadeiro e sem fronteiras, que vão muito além dos limites de família ou raça. A verdadeira família é aquela constituída por pessoas que, fazendo a vontade de Deus, tornam-se discípulas de Jesus. A família consanguíneo, pelo amadurecimento do amor, abre-se e solidariza-se com os mais excluídos e empobrecidos.
Fonte Canção Nova

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 3,13-19 - 23.01.2015 - Chamou os que ele quis, para que ficassem com ele.

Pai, apesar da minha fraqueza, sei que contas comigo para o serviço do teu Reino. Vem em meu auxílio, para que eu seja um instrumento útil em tuas mãos.
6ª-feira da 2ª Semana Tempo Comum
Cor: Verde

Evangelho - Mc 3,13-19

Chamou os que ele quis, para que ficassem com ele.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 3,13-19

Naquele tempo:
13Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis.
E foram até ele.
14Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele
e para enviá-los a pregar,
15com autoridade para expulsar os demônios.
16Designou, pois, os Doze:
Simão, a quem deu o nome de Pedro;
17Tiago e João, filhos de Zebedeu,
aos quais deu o nome de Boanerges,
que quer dizer 'filhos do trovão';
18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé,
Tiago, filho de Alfeu, Tadeu,
Simão, o cananeu,
19e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Mc 3, 13-19

A escolha dos doze apóstolos nos mostra a intenção que Jesus tem de formar o novo povo de Deus que irá substituir o povo da Antiga Aliança. De fato, a escolha dos doze não foi obra do ocaso, mas manifesta uma intenção. Assim como no Antigo Testamento, Deus forma o povo de Israel a partir das doze tribos dos descendentes de Abraão, a Igreja é o novo povo de Deus, o povo da Nova Aliança, formado a partir dos doze apóstolos de Jesus, que ele escolheu e enviou com poder para pregar e com autoridade para expulsar todo tipo de mal. Desse modo, entendemos que a Igreja é o novo povo de Deus, o povo da Nova Aliança.
Fonte CNBB



SEJA O DECIMO 13 APÓSTOLO Mc 3,13-19
HOMILIA

Jesus escolheu doze de seus discípulos para serem seus apóstolos conforme também nos narra Mateus 10:1-4; 11:1; 26:20; e Lucas 6:13-16) Após a morte e ressurreição de Jesus eles são onze até ser escolhido um substituto para Judas que o traiu e enforcou-se (Mateus 28:16) No livro de Apocalipse Jesus confirma-os como sendo doze na revelação a João – “O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Apocalipse 21:14). E para que não nos apresentasse somente uma quantidade de homens Jesus os denomina dizendo quem são e de onde são. Portanto, trata-se de pessoas bem conhecidas d’Ele.

Nesse trecho do Evangelho, Jesus escolhe alguns discípulos de sua confiança, que tinham interesse por Ele e pelas coisas que Ele dizia. Esses discípulos, conhecidos como apóstolos, foram os primeiros e os mais autorizados discípulos do Mestre Jesus em passar adiante os ensinamentos dele.

Tradição que começou com os discípulos que viram o mestre Jesus, que conviveram com ele, que beberam de seus lábios a palavra do próprio Deus, inspiradas pelo Espírito Santo. Razão pela qual, sempre que vamos ouvir a Palavra ou meditar sobre ela com todo o arcabouço de fé que possuímos, costumamos pedir as luzes do Espírito Santo. Ele que falou de tantos modos aos patriarcas, profetas e apóstolos, ele nos ilumine, para que a Palavra de Deus seja uma coisa viva em nós.

Quando Jesus escolheu seus doze seguidores, não estava dando a eles apenas um privilégio de estarem mais pertos. Mas estava conferindo um ministério apostólico, com a incumbência de levarem a todo o mundo a salvação trazida por Ele. E os discípulos entenderam muito bem; tanto que fizeram questão de guardar e transmitir com fidelidade a mensagem recebida a todos os homens e mulheres de boa vontade. Eu vos agradeço essa grande graça de ter recebido a mensagem de Jesus através de seus apóstolos. E quero fazer sempre o ato de fé, que a tradição chama de Ato dos Apóstolos.

Como o chamado não parou com a eleição dos doze e continua até nos dias de hoje, eu e você somos também chamados a guardar e transmitir aos nossos irmãos a começar pelos da minha e tua casa, a Boa Nova da salvação.

Eu tenho consciência plena e viva de que a palavra do Salvador, “Eu devo anunciar a Boa Nova do reino de Deus”, se aplica com toda a verdade a mim e a você. Por isso, com São Paulo digo: “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho. Quero confirmar, uma vez mais ainda, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial minha e sua como Igreja; tarefa e missão, que as amplas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição. Portanto, seja o décimo 13 Apóstolo.

Peça esta graça ao Senhor para assim aconteça e assim seja na tua vida hoje e sempre. Amém.
Fonte Canção Nova

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 3,7-12 - 22.01.2015 - Os espíritos maus gritavam: 'Tu és o Filho de Deus!'

Pai, conduze-me ao teu filho Jesus, por meio do qual o Reino mostra sua eficácia em mim, fazendo a vida e a esperança renascerem em meu coração.
Sacerdote: O Senhor esteja convosco!
Todos: Ele está no meio de nós!
Sacerdote: Proclamação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Todos: Glória a Vós Senhor

5ª-feira da 2ª Semana Tempo Comum
Cor: Verde

Evangelho - Mc 3,7-12

Os espíritos maus gritavam: 'Tu és o Filho de Deus!'
Mas ele ordenava severamente para não dizerem quem ele era.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 3,7-12

Naquele tempo:
7Jesus se retirou para a beira do mar,
junto com seus discípulos.
Muita gente da Galiléia o seguia.
8E também muita gente da Judéia,
de Jerusalém, da Iduméia, do outro lado do Jordão,
dos territórios de Tiro e Sidônia,
foi até Jesus, porque tinham ouvido falar
de tudo o que ele fazia.
9Então Jesus pediu aos discípulos
que lhe providenciassem uma barca, por causa da multidão,
para que não o comprimisse.
10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas,
e todos os que sofriam de algum mal
jogavam-se sobre ele para tocá-lo.
11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés,
gritando: 'Tu és o Filho de Deus!'
12Mas Jesus ordenava severamente
para não dizerem quem ele era.

Sacerdote: Palavra da Salvação!
Todos: Glória a Vos Senhor!
Fonte CNBB



Reflexão - Mc 3, 7-12

O evangelho de hoje é uma continuação dos evangelhos anteriores e nos mostra que, se por um lado, as autoridades religiosas da época de Jesus não concordavam com o seu modo de agir e com os seus ensinamentos, por outro lado, a multidão cada vez mais aderia aos seus ensinamentos e procurava em Jesus a solução para os seus problemas, naturais ou espirituais. A visão institucionalizada da fé é importante porque nos ajuda a viver comunitariamente o nosso relacionamento com Deus, mas pode ser perigosa enquanto pode submeter o próprio Deus aos critérios da razão humana ou legitimar, em nome de Deus, relacionamentos e costumes meramente humanos que podem até ser opressores e excludentes.
Fonte CNBB



TOCA-ME SENHOR E VIVEREI Mc 3,7-12
HOMILIA

As pessoas vieram a Cristo não apenas para ouvir os seus ensinos, serem curadas e libertas. Elas se lançaram aos pés de Jesus, tocaram n’Ele e se derramaram diante d’Ele. Hoje, eu convido você e vir a Jesus. Só Ele pode curar, libertar, perdoar e salvar você.  Em Mateus 12,15-21, Jesus afirma que Ele é aquele que não esmaga a cana quebrada nem apaga a torcida que fumega. Jesus alivia as pessoas do fardo que as oprime. Ele não esmaga aquele que já está caído. Foi assim que Jesus fez com a mulher apanhada em flagrante adultério. Ele não a apedrejou, antes, perdoou-a, restaurando-lhe a dignidade da vida. Cada pessoa tocada, curada e salva por Jesus era mais uma testemunha d’Ele. Imagine que duzentas pessoas que foram curadas estavam no meio daquela multidão. Eram mais duzentas testemunhas de Jesus a falar sobre Seu poder. O círculo daqueles que eram salvos aumentava, o número daqueles que testemunhavam crescia. Cada nova pessoa curada e salva era uma voz a mais a chamar as outras a virem a Jesus.
Hoje, depois de dois mil anos, milhões e milhões de vidas já foram tocadas, curadas e transformadas por Jesus. Você não pode desculpar-se. Cada nova vida salva por Jesus é um forte argumento para você de que Ele é suficiente para ser o seu salvador. Oh! Amigo, há uma nuvem de testemunhas ao seu redor proclamando para você que Jesus é o único salvador, a única esperança para a sua alma. Venha a Ele agora mesmo.
Jesus não apenas cura os enfermos, mas prioriza o ensino. Este anseio descontrolado por cura (3,8,10), principalmente ou exclusivamente por cura, Jesus corrige com sua atitude (1,37s, Jo 6,26). Ele não quer ser apenas um curandeiro, por isso cria espaço para o ensino da verdade (4,1). Esse barco usado por Jesus tinha duas finalidades: proteção e maior alcance. Jesus tem para você palavras de vida eterna que satisfazem a sua mente, aquietam o seu coração e lhe dão segurança eterna, por que:
a) O próprio nome de Jesus convida você. Seu nome é Jesus Cristo, que significa Salvador. Você é pecador, mas Ele é o Salvador. Você tem sede, mas Ele é a água da vida. Você tem fome, mas Ele é o pão da vida. Você está perdido, mas Ele é o caminho. Você está morto, mas Ele é a ressurreição e a vida.
b) O poder de Jesus encoraja você a vir a Ele. Jesus tem todo o poder no céu e na terra. Os astros O obedecem, o vento escuta a Sua voz, as ondas do mar se acalmam diante da Sua palavra. A doença atende a Sua ordem, os demônios se rendem à Sua autoridade, os inimigos prostram-se diante dos Seus pés. Ele tem poder para libertar e salvar você. Portanto, venha a Ele agora mesmo.
c) O amor de Jesus encoraja você a vir a Ele. Cristo ama você e importa-se com você. Ele foi à cruz por você. Suas mãos foram rasgadas, seus pés foram pregados na cruz e Ele foi transpassado no madeiro por amor a você. Ele o ama com amor eterno. Por isso, venha a Ele.
d) O banquete da salvação já está preparado para receber você. Deus já fez tudo. A mesa já está preparada. Os céus estão prontos para festejar sua volta para Deus. Os anjos se alegram com a sua salvação. A noiva de Cristo, a igreja: convida você: Venha! O Espírito do Deus eterno, diz a você: “Se você tem sede, venha e beba, de graça, da água da vida”. O Evangelho é uma mensagem urgente: amanhã pode ser tarde. Hoje é o tempo de Deus. A Palavra que você está ouvindo é a voz de Jesus. Venha a Ele. Aquelas pessoas não ficaram esperando até Jesus ir às suas cidades, elas foram até Ele, pois tinham pressa. Elas se arrojavam aos Seus pés para o tocá-Lo. Não deixe que alguma dificuldade impeça você de vir a Cristo: família, amigos, prazeres, dinheiro, preconceito.
Venha a Cristo sem demora. Somente Ele pode perdoar os seus pecados, preencher o vazio da sua alma e satisfazer os anseios do seu coração. Ele pode tirar o seu coração endurecido e dar-lhe um coração sensível. Ele pode abrir os seus olhos para que você veja a glória de Deus. Ele pode tirar você do poço profundo em que você se encontra. Ele pode dar a você um novo nome, um novo coração, uma nova mente, uma nova esperança, uma nova vida, basta toca-l’O. Pois todos os que o fizeram ficaram curados.
Eis-me aqui Senhor Jesus. Como aqueles homens que acorriam atrás de Ti, e Tu os tocavam e ficavam curados, quero tocar ainda que seja na orla do teu manto. Por favor, venha tocar em mim. Toque os membros da minha família, e todos aqueles que trago no meu coração. Pois tenho certeza de que juntos e curados viveremos felizes e sempre. Dai-me esta graça Senhor. Amém!
Fonte Padre BANTU SAYLA

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 3,1-6 - 21.01.2015 - É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal?

Pai, sejam minhas mãos usadas somente para a prática do bem. Livra-me de mantê-las fechadas a quem precisa de minha ajuda, e de usá-las para fazer o mal.
Sacerdote: O Senhor esteja convosco!
Todos: Ele está no meio de nós!
Sacerdote: Proclamação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Todos: Glória a Vós Senhor

4ª-feira da 2ª Semana Tempo Comum
Sta. Inês VgMt., memória
Cor: Vermelho

Evangelho - Mc 3,1-6

É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal?

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 3,1-6

Naquele tempo:
1Jesus entrou de novo na sinagoga.
Havia ali um homem com a mão seca.
2Alguns o observavam
para ver se haveria de curar em dia de sábado,
para poderem acusá-lo.
3Jesus disse ao homem da mão seca:
'Levanta-te e fica aqui no meio!'
4E perguntou-lhes:
'É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal?
Salvar uma vida ou deixá-la morrer?'
Mas eles nada disseram.
5Jesus, então, olhou ao seu redor,
cheio de ira e tristeza,
porque eram duros de coração;
e disse ao homem:
'Estende a mão.'
Ele a estendeu e a mão ficou curada.
6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes,
imediatamente tramaram, contra Jesus,
a maneira como haveriam de matá-lo.

Sacerdote: Palavra da Salvação!
Todos: Glória a Vos Senhor!
Fonte CNBB



Reflexão - Mc 3, 1-6

A vivência legalista e proibitiva da religião é uma das maiores manifestações da dureza de coração que pode acontecer na vida das pessoas. Quando isso acontece, as pessoas não são capazes de descobrir os valores que devem marcar o nosso relacionamento entre nós mesmos e entre nós e o próprio Deus, e a religião acaba por se tornar um mero cumprimento de obrigações e de ritos, numa verdadeira bruxaria. Esta forma de religião acaba por ter como um dos seus principais fundamentos a relação de poder, o autoritarismo e a estratificação social a partir da fé das pessoas. É por isso que as autoridades do tempo de Jesus procuram descobrir a maneira como haveriam de matá-lo.
Fonte CNBB



JESUS CURA O HOMEM DA MÃO ALEIJADA Mc 3,1-6
HOMILIA

Nesse texto podemos ver claramente como o fanatismo e sectarismo cegam nossa mente. O homem se torna capaz de compreender o real sentido da fé, da espiritualidade e do bem estar da alma. Ele não é capaz de compreender que só com amor e fazendo bem ao próximo é que conseguirá ter a festa no céu. Que é vivendo e praticando a solidariedade com os que passam necessidades, com os doentes, com os que sofrem as catástrofes naturais no Rio de Janeiro, em São Paulo e m tantos outros lugares no Brasil e do mundo possuirá como herança a vida eterna lá no céu.
Sem amor a Lei pouco importa. Ela é morta e os que lhe são submissos estão condenados a desaparecer com ela. Aliás, a Lei não foi criada somente pra punir, mas, pra mostrar os limites ao homem. Quando Deus disse: "Não matarás", ele quis dizer que este ato é ruim, tanto para vitima, quando para o assassino. Mas, nossos desejos, maldades e cegueira não nos deixam compreender isso com facilidade. Assim o imbecil, com uma arma na mão, após matar uma pobre vitima, se acha esperto e até zomba da pobre alma que foi tirada da vida. No entanto, não sabe ele, que matando um inocente, ele está também matando a se próprio. Pois, cada vida tirada é uma penalização aumentada no carma de quem mata. Mesmo sem a antiga máxima de "olho por olho dente por dente", Jesus deixou claro que: "Quem com ferro fere com ele será ferido".
            Então o que eleva a alma não são as leis, mas, os sentimentos que tem que ser puros, inocentes e iluminados. Por isso Jesus nos disse que se quisermos entrar no Reino dos céus temos que voltar a sermos crianças. E o que nos faz ser inocentes, puros de coração e de alma é o amor. Pois como nos ensina São Paulo, o amor é o vínculo da perfeição. E para São João, Deus é amor. Quem ama permanece em Deus. E para tal se manifestar o amor de Deus em nós, não temos outro caminho senão colocar seus mecanismos em pratica, que são caridade, humildade, misericórdia e bondade. Diz: dei-vos um exemplo, para que assim como eu fiz façais vós também.
Voltando ao evangelho de hoje, nos perguntamos: Então como Jesus poderia deixar de ajudar o pobre homem só porque era sábado? O sábado no Antigo Testamento que para nós cristãos o Domingo, é um dia consagrado ao Senhor. E o Senhor é o Senhor da vida e não da morte. Da saúde e não da doença. Da alegria e não da tristeza. Do perdão, da misericórdia, da liberdade e na da condenação.
Na verdade o que temos que praticar é o amor, a amizade e a misericórdia, para que o amor divino se manifeste em nós.
Pai, sejam minhas mãos usadas somente para a prática do bem. Livra-me de mantê-las fechadas a quem precisa de minha ajuda, e de usá-las para fazer o mal.
Fonte Padre BANTU SAYLA