quarta-feira, 22 de outubro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 12,54-59 - 24.10.2014 - Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente?

Pai,
corrige a negligência que me impede
de entregar-me inteiramente a ti, sem demora.
Torna-me hábil para as coisas do teu Reino!
6ª-feira da 29ª Semana Tempo Comum
Cor: Verde

Evangelho - Lc 12,54-59

Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente?

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 12,54-59

Naquele tempo:
54Jesus dizia às multidões:
'Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente,
logo dizeis que vem chuva.
E assim acontece.
55Quando sentis soprar o vento do sul,
logo dizeis que vai fazer calor.
E assim acontece.
56Hipócritas! Vós sabeis interpretar
o aspecto da terra e do céu.
Como é que não sabeis interpretar o tempo presente?
57Por que não julgais por vós mesmos o que é justo?
58Quando, pois, tu vais com o teu adversário
apresentar-te diante do magistrado,
procura resolver o caso com ele
enquanto estais a caminho.
Senão ele te levará ao juiz,
o juiz te entregará ao guarda,
e o guarda te jogará na cadeia.
59Eu te digo: daí tu não sairás,
enquanto não pagares o último centavo.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Lc 12, 54-59

Devemos saber reconhecer o tempo em que estamos vivendo. Vivemos os últimos tempos, o tempo pós-pascal. Tempo de edificação do Reino de Deus na história dos homens. Tempo de fazer com que o mistério da cruz e da ressurreição produzirem frutos de fraternidade, justiça e solidariedade. Tempo de presença do Espírito Santo na vida de todos, tempo de crescimento no amor e na verdade. Tempo de reconciliação, de construção da paz e da vida nova. Tempo de sentir os apelos do reino que se manifestam na história, apelos para nos comprometermos com os pequenos, apelos para celebrarmos o Deus atuante na história.
Fonte CNBB



OS SINAIS DOS TEMPOS Lc 12,54-59
HOMILIA

Jesus lamenta que os seus ouvintes sejam capazes de interpretar os sinais do tempo e não captem os sinais dos tempos que representam a chegada do Reino de Deus entre eles. Não descobrem nele e nos seus sinais a importância do momento em que vivem. Portanto, Jesus repreende os seus contemporâneos, que sabem distinguir os sinais meteorológicos, mas não o sinal que Ele mesmo é: o Filho Unigênito enviado pelo Pai para salvação de todos. Compreender o tempo  em que vivemos é compreender as intenções de Deus que, em todo o tempo, sobretudo pelo mistério da Igreja e dos sacramentos, torna atual o mistério de Jesus com toda a sua eficácia salvífica.
            Saber fazer previsões do tempo, analisando os dados da meteorologia, implica uma atenção interessada. Se não estivermos realmente interessados e atentos para nos darmos conta da importância do tempo como tempo para exercer a justiça e a caridade, corremos sério risco. Há que reconciliar-se radicalmente com aqueles com que estamos em conflito. Caso contrário, podemos cair no redemoinho do não-perdão, donde não sairemos sem danos. É como se Jesus apontasse o sinal do tempo por excelência, que é Ele mesmo, como sinal de salvação, mas só para quem se compromete a viver como reconciliado, isto é, na paz, na justiça e na bondade.
            É na história que podemos compreender as intenções de Deus, e não fora dela. Daí a atenção que devemos dar aos sinais dos tempos. Deus atua dentro do tempo. É também no tempo que responde às nossas interrogações. Quantas vezes Lhe fazemos perguntas na oração, e encontramos as respostas na vida. É, pois, no tempo que havemos de ler os sinais de salvação e de perdição. O sinal de salvação por excelência é sempre Cristo, com o seu mistério pascal. Ele salva-nos à medida que, lendo os sinais dos tempos e confrontando-os com a Palavra, deixamos que ela mesma, a Palavra, produza frutos em nós e no nosso tempo. Pondo em prática a Palavra, permitimos a Deus fazer muito mais do que podemos esperar.
            Um dos sinais do nosso tempo é a chamada globalização, em que passamos de um mundo dividido e fragmentado, àquilo a que M. McLuhan chamou de a «aldeia global». Os meios de comunicação, que podem ser instrumentos de divisão e guerra, também podem e devem tornar-se instrumentos de união e de paz. Para isso, todos os homens de boa vontade, e particularmente nós, os crentes, havemos de superar a tentação do individualismo, que fragmenta, e dar espaço à unificação da nossa pessoa, e à união entre os homens. Como crentes, temos a certeza de que Cristo habita no nosso coração e que, fundados e radicados na sua caridade, podemos ser repletos da plenitude de Deus, e alcançar a unificação do coração e de todas as nossas faculdades e forças, a unificação da nossa pessoa. S. Paulo indica-nos os meios para isso: a humildade, a mansidão, a paciência, e o suportar amoroso de nossas índoles.
            A chave que temos ao alcance da mão, para contribuirmos para a unidade entre os homens, é procurar tudo o que une e deixar de parte tudo o que divide como dizia e fazia João XXIII. Com essa chave chegaremos à unificação pessoal, comunitária, eclesial, social e… planetária. Vivendo e realizando esse projeto, o nosso tempo, que está sob o signo de Jesus, tornar-se-á um tempo de claridade, iluminado pela luz da salvação. E, com Cristo e como Cristo, tornar-nos-emos instrumentos de unidade e de paz. A exemplo do Fundador, sintonizando com os sinais dos tempos e em comunhão com a vida da Igreja, queremos contribuir para instaurar o reino da justiça e da caridade cristã no mundo; queremos participar na construção da cidade terrena e na edificação do Corpo de Cristo empenhando-nos sem reserva, no advento da nova humanidade.
            Muitas vezes nós, como os conterrâneos de Jesus, temos um coração duro. Não sabemos olhar em profundidade e não descobrimos, ou não queremos descobrir, o sentido dos acontecimentos; inclusive, olhamos para o outro lado se o que vemos nos compromete.
            Pai, corrige a negligência que me impede de entregar-me inteiramente à ti, sem demora. Torna-me hábil para as coisas do teu Reino! Cura a minha cegueira, Senhor, e dá-me a luz do teu Espírito para ver a profundidade das pessoas.
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

terça-feira, 21 de outubro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 12,49-53 - 23.10.2014 - Não vim trazer a paz mas a divisão.

Pai,
que o batismo de Jesus, por sua morte de cruz,
purifique-me de todo pecado e de toda maldade,
como um fogo ardente,
abrindo o meu coração totalmente para ti.
5ª-feira da 29ª Semana Tempo Comum
Cor: Verde

Evangelho - Lc 12,49-53

Não vim trazer a paz mas a divisão.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 12,49-53

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
49Eu vim para lançar fogo sobre a terra,
e como gostaria que já estivesse aceso!
50Devo receber um batismo,
e como estou ansioso até que isto se cumpra!
51Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra?
Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão.
52Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas,
três ficarão divididas contra duas e duas contra três;
53ficarão divididos:
o pai contra o filho e o filho contra o pai;
a mãe contra a filha e a filha contra a mãe;
a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Lc 12, 49-53

A vinda de Jesus cria um divisor de águas na história dos homens. De um lado encontramos os que são dele e, de outro, os que são do mundo. A partir dessa divisão se estabelece o conflito, que é caracterizado principalmente pela diferença de valores, e exige de todos os que abraçam a fé a consciência de suas conseqüências, entre elas a de ser odiado pelo mundo. Como cristãos, devemos enfrentar o conflito com o mundo, mas não com as mesmas armas do mundo, uma vez que estas levam à morte, o grande valor do mundo. Devemos enfrentar o mundo com a fé, a espiritualidade, a entrega, a partilha, a doação, a fraternidade, o testemunho, o profetismo, que são valores do Reino e levam à vida.
Fonte CNBB



O FOGO QUE JESUS VEIO TRAZER Lc 12,49-53
HOMILIA

Jesus mostra sua expectativa de que o fogo do amor que ele veio lançar já estivesse aceso na terra. O fogo purifica, consumindo o que não se aproveita. Ou ainda, neste evangelho, Jesus mais uma vez se manifesta amoroso para conosco, convidando-nos a conhecer sua missão em meio às alegrias e dificuldades. Jesus veio nos trazer o Espírito Santo, o Espírito de amor, o Consolador, Aquele que nos ensina todas as coisas. Jesus nos deixa o exemplo: Ele que é o Rei se fez pequeno quando pediu a João Batista para o batizar, batismo esse que nos dá força em meio ao combate espiritual, onde a carne e o espírito conseguem vivenciar dentro de uma fraternidade de amor e paz. Após o batismo, somos chamados a vivenciar os frutos do Ressuscitado para que possamos ter uma vida plena e cheia do Espírito Santo.
Jesus era consciente de que um efeito (ainda que não desejado) do seu trabalho ia ser causa de divisão entre os partidários do imobilismo e os que lutam por um mundo novo. Por isso inflamou a ira dos funcionários do templo e de todos os que se consideravam donos da verdade. O fogo da Palavra de Deus não era para funcionários lúgubres saturados de doutrinas e sedentos de poder. Mas o fogo de Jesus não é o fogo das paixões políticas. É o fogo do Espírito que tem que ser aprovado na entrega total, no batismo da doação pessoal. É um fogo que prende aí onde se abandonaram os interesses pessoais e se busca um mundo de irmãos.
            A paz de Jesus é um fogo purificador que não se confunde com a Pax Romana? Aquela paz que Roma (e qualquer império) se esforça por proclamar. Esta é só uma tranquilidade institucional que garante a vantagem dos opressores sobre os oprimidos, do império sobre os subalternos, da injustiça sobre o direito.
            O fogo purificador de Jesus faz amadurecer os mensageiros, os discípulos, os profetas, os apóstolos. O destino deles, como o do mestre, é sair ao encontro da obscuridade com um clarão que põe às claras tudo o que a ordem atual esconde. O fogo põe as claras também às deficiências pessoais, as ambições subterrâneas, os desejos reprimidos. O fogo que se prova com a entrega total ao serviço do evangelho.
            Devemos observar que o Senhor Jesus Cristo não está atacando o relacionamento familiar, mas indica que nenhum laço terreno, embora muito íntimo, poderá diminuir a lealdade a Ele. Essa lealdade pode até mesmo causar em determinados membros de uma família que eles sejam afastados ou ignorados pelos outros por terem escolhido seguir a Cristo Jesus. Podemos resumir que o Senhor Jesus Cristo se refere a espada por ser um instrumento cortante e que na qual a sua vinda causará separação em muitas pessoas, não porque Ele quer, mas pela opção de cada um em segui-lo como Senhor e salvador.
            Pai, que o batismo de Jesus, por sua morte de cruz, purifique-me de todo pecado e de toda maldade, como um fogo ardente, abrindo o meu coração totalmente para ti.
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 12,39-48 - 22.10.2014 - A quem muito foi dado, muito será pedido.

Pai, 
leva-me a tomar consciência
de que muito será exigido de mim,
pois muito me foi dado.
Que minha vida seja compatível
com minha condição de discípulo do teu Reino.
4ª-feira da 29ª Semana Tempo Comum
Cor: Verde

Evangelho - Lc 12, 39-48

A quem muito foi dado, muito será pedido.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 12,39-48

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
39Ficai certos: se o dono da casa
soubesse a hora em que o ladrão iria chegar,
não deixaria que arrombasse a sua casa.
40Vós também ficai preparados!
Porque o Filho do Homem vai chegar
na hora em que menos o esperardes'.
41Então Pedro disse:
'Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?'
42E o Senhor respondeu:
'Quem é o administrador fiel e prudente
que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa
para dar comida a todos na hora certa?
43Feliz o empregado que o patrão, ao chegar,
encontrar agindo assim!
44Em verdade eu vos digo:
o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens.
45Porém, se aquele empregado pensar:
'Meu patrão está demorando',
e começar a espancar os criados e as criadas,
e a comer, a beber e a embriagar-se,
46o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado
e numa hora imprevista,
ele o partirá ao meio
e o fará participar do destino dos infiéis.
47Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor,
nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade,
será chicoteado muitas vezes.
48Porém, o empregado que não conhecia essa vontade
e fez coisas que merecem castigo,
será chicoteado poucas vezes.
A quem muito foi dado, muito será pedido;
a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Lc 12, 39-48

O Filho do Homem vai chegar na hora em que menos esperamos, pois ele está sempre chegando até nós nos pobres e necessitados. Os que esperam a vinda de Jesus somente no último dia tornam-se pregadores do fim do mundo e vivem uma fé ritual, são incapazes de amar verdadeiramente e, na verdade, não conhecem Jesus presente em suas vidas, possuem uma fé egoísta, pois a espera de Jesus não é para o encontro com ele, mas para ganhar o prêmio eterno. A longa espera e a falta de vivência concreta do amor faz com que essas pessoas desanimem e maltratem seus irmãos e irmãs, fazendo-se merecedores da sorte dos infiéis.
Fonte CNBB



QUEM É O CRISTÃO MADURO? Lc 12,39-48
HOMILIA

Estas duas parábolas de Lucas vêm reforçar o tema da vigilância que a nosso ver é uma das qualidades do cristão maduro na fé à Deus e ao próximo. Estar preparado para o encontro com o Filho do homem (Jesus identificado com o humano) pode significar que, a partir de Jesus, o humano se torna o lugar do encontro com Deus
Quem é o maduro para Deus senão aquele que assume a própria responsabilidade? Vivemos numa sociedade onde a culpa não existe. E mais estamos expostos a um rolo de acontecimentos, com seu emaranhado de causas e consequênicas. Vale apenas ouvir as palavras que Jesus nos dirige como alerta máxima: vocês, também, fiquem alertas, porque o Filho do Homem vai chegar quando não estiverem esperando.  Qual é a razão da advertência de Jesus? É que os homens e as mulheres facilmente se metem num jogo de empurra e empurra. Os que erram são os outros, os culpados não somos nós, não sou eu. Para mim tudo o que faço está certo. Portanto, a culpa não existe e se existe, é dos outros, é dos dirigentes, é do governo, é da hierarquia. Não esquecemos que é índice de maturidade cristã também saber examinarmo-nos sem fraquezas e reconhecer a própria parte de responsabilidade. Nós somos responsáveis de muitos males que acontecem no mundo.
            Jesus nos dirige a palavra: Quem é, então, o empregado fiel e inteligente? É aquele que o patrão encarrega de tomar conta da casa e de dar comida na hora certa aos outros empregados. O evangelho apresenta o cristão vigilante com a psicologia do administrador, não do patrão. Todos querem ser patrões e querem mandar. Se esquecem que só Deus é o Senhor: Foi dito que o mundo iria melhor se tivesse menos arquitetos e mais pedreiros, menos discussões e mais trabalhos. Provavelmente mundo e Igreja precisam menos de patrões,  e mais de servos. Jesus chama a atenção fundamentalmente sobre os de casa. A autoflagelação não serve porém a humildade está sempre no centro da exortação de Jesus aos discípulos.
            Concluindo diremos que estas duas parábolas, a da chegada inesperada do ladrão e a do comportamento do servo que aguarda a chegada do senhor, continuam o tema escatológico da vinda gloriosa do Filho do Homem.
            O primeiro grande acontecimento escatológico é a encarnação. É o nascimento de Jesus. É a presença do Filho do Homem, Jesus, Filho de Deus, na história ao longo dos tempos. A partir de Jesus, o humano se torna o lugar do encontro com Deus. Os discípulos, na diversidade de seus dons, são chamados ao serviço à vida, construindo o mundo novo possível onde Deus se faz presente pelo amor. Aqui se incerta segunda a vinda gloriosa. Por isso, esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã deve permanecer atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. Quero que saibas que a responsabilidade é ainda maior, quando se sabe o que deve ser feito. E tu sabes tudo o que deves fazer para teres como herança a vida eterna. Muito te será exigido. Pois diz Jesus: assim será pedido muito de quem recebe muito; e, daquele a quem muito é dado, muito mais será pedido.
Pai, leva-me a tomar consciência de que muito será exigido de mim, pois muito me foi dado. Que minha vida seja compatível com minha condição de discípulo do teu Reino.
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

domingo, 19 de outubro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 12,35-38 - 21.10.2014 - Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar.

Pai,
somente em ti quero centrar
as minhas opções mais profundas,
para não permitir que o egoísmo
tome conta do meu coração e me afaste de ti.
3ª-feira da 29ª Semana Tempo Comum
Cor: Verde

Evangelho - Lc 12,35-38

Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 12,35-38

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
35Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas.
36Sede como homens que estão esperando
seu senhor voltar de uma festa de casamento,
para lhe abrir em, imediatamente, a porta,
logo que ele chegar e bater.
37Felizes os empregados que o senhor
encontrar acordados quando chegar.
Em verdade eu vos digo:
Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa
e, passando, os servirá.
38E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada,
felizes serão, se assim os encontrar!
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Lc 12, 35-38

O verdadeiro discípulo de Jesus procura viver sempre um dos valores mais importantes que aparecem no Evangelho: o serviço. Ele sempre está pronto para servir o seu senhor que chega, pois vê o próprio Jesus que vem até ele na pessoa do pobre, do nu, do faminto, do injustiçado, do doente, do abandonado, do carente, enfim, de todos os que precisam de amor, de ajuda material, psicológica, afetiva ou espiritual. Esse discípulo não fala muito de amor e de Evangelho, porque sua vida é o grande discurso da vivência do amor evangélico. Este é o que está de rins cingidos e abre a porta do seu coração sempre que o Senhor chega e este é o feliz que será eternamente servido pelo Senhor.
Fonte CNBB



VIGIAI Lc 12,35-38
HOMILIA

O tema da vigilância, que é o núcleo do Evangelho de hoje, era próprio das primeiras comunidades cristãs, entre as quais havia a expectativa de uma volta em breve de Jesus, morto e ressuscitado, seguindo-se o julgamento final. Diante da correria diária, trabalho, serviços, estudos e outras atividades que fazem parte de nossas vidas, ficam às vezes impossíveis ou esquecidos nosso momento de intimidade com o Senhor. Intimidade, aqui não queremos que entendas somente o ouvir uma música religiosa, fazer leitura bíblica. Mas sim, viver a regra beneditina que consiste no rezar e trabalhar. Pois o Senhor nos diz: felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Esse manter-se acordado estende-se ao serviço, seja na sua Paróquia, na comunidade dentro da sua pastoral ou ministério. Servir e trabalhar naquilo para o qual o Senhor nos chamou. Tu já descobriste o teu lugar na Paróquia, na comunidade? É fundamental que tu saibas qual o teu lugar e função aí para que Deus te fale ao coração.
            O Senhor nos pede que fiquemos os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Como estão os teus rins e os teus olhos espirituais? A virtude da vigilância é por si mesma, uma atitude escatológica a aguardar constantemente o retorno do Senhor.  Os serviços vigilantes, a representar os membros da comunidade eclesial, são felizes porque o próprio Senhor, por ocasião de seu advento, fará a função de servo, cingindo-os e colocando-os à mesa.
            A vigilância escatológica é a virtude de quem aguarda o fato derradeiro.  Por isso, o Filho do Homem que há de vir sobre as nuvens dos céus (Dn 7,13), por ocasião da parusia, assemelha-se ao ladrão que não avisa a hora do assalto.  A vigilância supõe e exige um estado constante de preparação para juízo escatológico, colocando os fiéis de Cristo em estado permanente de crise, de modo especial, aqueles que têm a missão de anunciar o Reino à semelhança do administrador fiel e prudente.  Neste caso, a escatologia possui uma dimensão presente e eclesial, pois o juízo definitivo supõe a avaliação das atividades atuais dos fiéis, mediante as penas impostas pelo Senhor.  A provação dos últimos tempos acentua a responsabilidade histórica do cristão, sobremaneira agradecido pelos bens messiânicos: a quem muito se deu e foi confiado, muito será pedido e reclamado.
            Por tudo quanto dissemos o importante é não se desviar, não se distrair. É manter-se sempre alerta, acordado, e esperar até final pela segunda vinda gloriosa do nosso Senhor Jesus Cristo. Feliz és tu se assim estás procedendo. Porque o próprio Senhor passando te servirá, como fez na Última Ceia, com seus Apóstolos.
            Pai, somente em ti quero centrar as minhas opções mais profundas, para não permitir que o egoísmo tome conta do meu coração e me afaste de ti.
         
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

sábado, 18 de outubro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 12,13-21 - 20.10.2014 - E para quem ficará o que tu acumulaste?

Pai,
preserva-me do apego exagerado às riquezas,
as quais me tornam insensível
às necessidades do meu próximo.
Que eu descubra na partilha
um caminho de salvação.
2ª-feira da 29ª Semana Tempo Comum
Cor: Verde

Evangelho - Lc 12,13-21

E para quem ficará o que tu acumulaste?

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 12,13-21

Naquele tempo:
13Alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: 'Mestre,
dize ao meu irmão que reparta a herança comigo.'
14Jesus respondeu:
'Homem, quem me encarregou de julgar
ou de dividir vossos bens?'
15E disse-lhes:
'Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância,
porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas,
a vida de um homem não consiste na abundância de bens.'
16E contou-lhes uma parábola:
'A terra de um homem rico deu uma grande colheita.
17Ele pensava consigo mesmo:
'O que vou fazer?
Não tenho onde guardar minha colheita'.
18Então resolveu: 'Já sei o que fazer!
Vou derrubar meus celeiros e construir maiores;
neles vou guardar todo o meu trigo,
junto com os meus bens.
19Então poderei dizer a mim mesmo:
- Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos.
Descansa, come, bebe, aproveita!'
20Mas Deus lhe disse: 'Louco!
Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida.
E para quem ficará o que tu acumulaste?'
21Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo,
mas não é rico diante de Deus.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Lc 12, 13-21
Mas Deus lhe disse: Louco! Louco é aquele que é incapaz de perceber a verdadeira hierarquia dos valores e submete o eterno ao temporal, o celeste ao terreno, fazendo com que o acúmulo de bens materiais se tornem a causa maior da sua própria felicidade, o que faz com que ele feche a sua vida para os valores que são eternos e que trazem a felicidade que não tem fim. A verdadeira loucura consiste em não conhecer a Deus e, por isso, não valorizar a sua presença em nossas vidas, não viver no seu amor e não amar, de modo que não haja partilha de todos os bens, não possibilitando um crescimento mútuo e um projeto comum de felicidade, que dura para sempre.
Fonte CNBB



O RICO SEM JUÍZO Lc 12,13-21
HOMILIA

Sabemos que Lucas não é muito favorável às grandes fortunas. É mais fácil um camelo entrar pelo olho de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus (18, 25). O parágrafo se inicia com uma advertência séria: Cuidado! Deveis estar em vigilantes de modo a evitar toda forma de cobiça ou ambição de ser ricos. Pois a verdadeira vida não depende da abundância dos bens materiais. Na realidade Jesus usa em presente de infinitivo o verbo exceder. A tradução seria: porque na realidade a vida de alguém não consiste em ter excesso de posses. A vida não consiste em acumular riquezas. E na continuação Jesus explica o porquê desta afirmação que vai fazer com que Paulo descreva a cobiça como uma forma de idolatria (Cl 3,5)
No Eclesiástico1, 18-19 podemos ler que quem se enriquece por avareza; está com os pés na cava. Pois quando ele disser: encontrei descanso, agora comerei dos meus bens, não sabe quando deixará tudo a outros e morrerá. Ou ainda como está nos Provérbio: Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz (27,1).
No evangelho Jesus fala homem cujas terras produziram uma colheita copiosa. Que farei, pois não tenho onde estocar semelhante riqueza? Ele só pensou em si mesmo, para viver uma vida de descanso e prazer. Como diz o apóstolo em 1Cor 15, 32 comamos e bebamos que amanhã morreremos. E com a finalidade que também propõe o livro do Sirácida, encontrei descanso; agora comerei de meus bens (11, 19), pensa em aumentar a capacidade de seus celeiros para ter uma vida fácil, sem preocupações, para descansar, comer beber e gozar como muitos fazem nos dias de hoje. Uma solução mais fácil seria repartir o que não coubesse nos celeiros com os mais necessitados, ou vender a preço mais acessível o excedente. Seria uma maneira de ajudar a quem não tem, e cumprir com o que Tobias recomendava a seu filho: Dá esmola de tudo que te sobrar e não sejas avaro na esmola (4, 16).
Num caso de justiça Jesus é interpelado. Mas Jesus recusa ser juiz. A justiça, considerada do ponto de vista humano, é falha e deixa muito a desejar. No litígio, os homens enfrentam uma guerra que mata não os corpos mas a amizade e o amor. Por isso Jesus dirá: Assume uma atitude conciliadora com o teu aniversário, enquanto estás no caminho, para não te acontecer que teu aniversário te entregue ao juiz e o juiz ao oficial de justiça e assim, sejas lançado na prisão (Mt 5, 25). Porém a caridade não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade (! Cor 13, 5-6). De fato todas as revoluções em nome da justiça, da igualdade e da liberdade têm sido extremamente cruentas e abundantes em mortes humanas. Muitas buscam a desforra e a vingança, Por isso todas as encíclicas sociais terminam com a mesma advertência: a justiça deve ser temperada pela caridade que é a que tem a última palavra nas relações sociais.
Talvez não tenhamos em conta que num mundo tão injusto como o romano de escravos e cidadãos diversamente classistas, Jesus nada disse a respeito. Porém, a ênfase evangélica está na justiça divina para a qual Lucas deixa a definitiva sentença, como Ai de vós ricos, porque já tendes a vossa consolação (Lc 6,24).
O problema da desigualdade, por não dizer péssima distribuição das riquezas, tem como solução uma voluntária redistribuição das mesmas, de modo que os mais ricos enriqueçam os mais pobres com as riquezas que para eles sobram e para estes faltam. A chamada esmola deve ser considerada como uma necessidade voluntária de distribuição das riquezas. Mais do que condenar os ricos devemos pregar a pobreza voluntária, desterrando a ambição como programa humano e oferecendo a simplicidade e austeridade de vida como objetivo evangélico e ideal social.
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 22,15-21 - 19.10.2014 - Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Pai,
por reconhecer-te como centro de minha vida,
ensina-me a submeter tudo a ti,
e a rejeitar o que pretende polarizar minhas atenções.
29º DOMINGO Tempo Comum
Cor: Verde

Evangelho - Mt 22,15-21

Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 22,15-21

Naquele tempo:
15Os fariseus fizeram um plano
para apanhar Jesus em alguma palavra.
16Então mandaram os seus discípulos,
junto com alguns do partido de Herodes,
para dizerem a Jesus:
'Mestre, sabemos que és verdadeiro
e que, de fato, ensinas o caminho de Deus.
Não te deixas influenciar pela opinião dos outros,
pois não julgas um homem pelas aparências.
17Dize-nos, pois, o que pensas:
É lícito ou não pagar imposto a César?'
18Jesus percebeu a maldade deles e disse: 'Hipócritas!
Por que me preparais uma armadilha?
19Mostrai-me a moeda do imposto!'
Trouxeram-lhe então a moeda.
20E Jesus disse:
'De quem é a figura e a inscrição desta moeda?'
21Eles responderam: 'De César.'
Jesus então lhes disse:
'Dai pois a César o que é de César,
e a Deus o que é de Deus.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



REFLEXÃO
Deus é único e fora Ele não há outro deus.

A liturgia da palavra deste vigésimo nono domingo do Tempo Comum apresenta dois aspectos, a meu ver, essenciais para a vida cristã. O primeiro deles, a contar da leitura do profeta Isaías, é a necessidade de fazer uma leitura teológica da história, isto é, ver na história da humanidade a ação salvífica de Deus, pois ele age em meio às vicissitudes da vida e das pessoas. O segundo aspecto é o convite e a necessidade ao discernimento permanente, pois não há para Deus substituto e, por isso, ninguém que se compare a Ele. Deus é único e fora Ele não há outro deus (cf. Is 45,5).
O trecho do profeta Isaías nos remete ao final do século VI a.C. Período do retorno à Judá dos exilados na Babilônia, retorno patrocinado por Ciro, rei da Pérsia, em 538 a.C. A insistência em afirmar que Deus era o único Deus (vv. 5-6) remete o nosso texto a um risco que remonta aos tempos da escravidão no Egito e acompanha o povo de Deus ao longo de toda a sua existência; a saber, a dificuldade em compreender e aceitar que Deus era infinitamente diferente dos ídolos feitos por mãos humanas; que Ele era um Deus pessoal com quem podiam falar e ser ouvidos. Não era um Deus estático, mas sim profundamente comprometido com a vida do povo que Ele escolheu. Não era de bronze nem de madeira, mas tinha sentimentos e olhos misericordiosos. O perigo era venerar Ciro como deus. Ora, Ciro era ungido de Deus (v. 1), através de quem Deus agiu para fazer o seu povo voltar à terra dada aos ancestrais de Israel (vv. 2-4). Onde o ser humano é libertado de sua escravidão, é Deus quem está na origem dessa libertação.
Os opositores de Jesus querem armar uma armadilha para pegá-lo em alguma palavra. Mas eles mesmos foram pegos pela cilada que prepararam contra Jesus. O leitor do evangelho sabe que o elogio que fazem a Jesus é verdadeiro, mas na boca deles é pura hipocrisia, pois não é, efetivamente, o que pensam de Jesus. Trata-se simplesmente de artimanha maléfica para enredá-lo. Mas Jesus não entra no jogo deles. A alternativa apresentada para a resposta de Jesus é falsa. A imagem de César na moeda é que trazia problema. A moeda continha uma inscrição em que se afirmava que César Augusto era deus. César reivindicava ser adorado como deus. Se a moeda tinha a imagem de César, que os impostos fossem pagos a ele, no parecer de Jesus. Mas o ser humano é a imagem do Deus que o criou. O ser humano pertence a Deus e não pode ser escravo do que ou de quem quer que seja. Daí que somente a Deus a vida do ser humano pode ser oferecida, qual um sacrifício vivo. A vida do ser humano pertence a Deus. Deus não está nem pode ser posto em concorrência com as coisas deste mundo.
Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas



DAMOS A DEUS O QUE É DE DEUS? Mt 22,15-21
HOMILIA

Estamos na última semana da vida de Jesus. Ele atua como mestre no pórtico de Salomão ao oriente da esplanada do templo. Seus inimigos estão à espreita, para ver como apanhá-lo em suas palavras e por isso propõem diversas questões, que eram discutidas na época, com o intuito de ver seus conhecimentos e até de poder acusá-lo diante das autoridades por sua discrepância da Lei, ou sua oposição às autoridades romanas. Um destes episódios é o de hoje, Mestre, sabemos que o senhor é honesto, ensina a verdade sobre a maneira de viver que Deus exige e não se importa com a opinião dos outros, nem julga pela aparência. Então o que o senhor acha: é ou não é contra a nossa Lei pagar impostos ao Imperador romano?
É lícito significa se está de acordo com a lei. Pagar o tributo a César seria, segundo os zelotas e os fariseus, dar dinheiro a um representante de um deus pagão. Seria manter o princípio de propriedade do Estado Romano sobre terras que Jahvé-Deus tinha dado a Israel a título inalienável. Segundo os juristas romanos os indígenas tinham unicamente o usufruto das mesmas. Por isso a taxação era uma escravidão evidente segundo os radicais palestinos. Diante deste fato a resposta se fosse favorável aos romanos atrairia o desprezo do povo sobre Jesus. Mas se a resposta de Jesus fosse contrária ao pagamento do tributo, poderia ser causa suficiente para tratar Jesus como zelota e os herodianos acusá-lo-iam às autoridades, como realmente o fizeram, de impedir pagar tributo a César(Lc 23,2).
Jesus pede a moeda onde estava escrita ao redor da efígie do César: César Tibério, do divino Augusto filho, ele mesmo Augusto Pontifice Máximo. A moeda estava cunhada em Roma, como todas as moedas em ouro ou prata. Todos, tanto fariseus como herodianos, usavam a moeda o que era de fato aceitar o domínio do César. A tradução mais exata da resposta de Jesus seria: Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Sem dúvida que Jesus aponta para uma dívida que temos tanto com as autoridades civis como para com Deus:
1º Ele estabelece uma clara distinção entre os deveres cívicos e os religiosos, não confundindo as áreas, mas separando-as.
2º Toda autoridade da qual nos servimos, como se serviam do denário os judeus, tem origem divina, como ele respondeu a Pilatos: Nenhuma autoridade terias sobre mim se de cima não te fosse dada(Jo19,11).
Deus quer ser representado na autoridade do homem, como diz Paulo, independentemente dessa autoridade ser boa ou má. Em Rm 3,1 afirma: Não há autoridade que não proceda de Deus e as autoridades que existem foram por Ele instauradas.
No mundo moderno não interrogamos Jesus sobre o tributo a César, mas interrogamos a Igreja sobre o Jesus que está mostrando ao mundo: O homem oprimido tem substituído a mensagem evangélica sobre o verdadeiro Jesus, Filho de Deus, Redentor e Salvador. Do evangelho tomamos unicamente a mensagem sobre a justiça e igualdade; e a fé, fundamento da vida cristã fica diluída em termos humanos. O homem substitui o Deus encarnado.
Em Jesus queremos ver um revolucionário, e na revolução um remédio universal, uma redenção necessária embora dolorosa. Portanto devemos favorecê-la e acompanhá-la com ilusão e até propagá-la como remédio dos males modernos. Da frase eu vim evangelizar os pobres reduzimos o evangelho a uma simples conclusão de semelhante afirmação. O resto da boa noticia não interessa.
É por isso que os milagres de Jesus ou são silenciados ou são negados e entre eles a Ressurreição. A vida eterna do evangelho é traduzida como vida melhor na terra por um repartimento mais justo das riquezas. O natural é substituído pelo natural o pão de cada dia desloca o Pão Eucarístico necessário para a verdadeira vida. A política tem tomado o lugar da religião. Damos a César o que é de César; mas não damos a Deus o que é de Deus, embora esse Deus moderno seja o Grande Arquiteto que anula o Cristo do qual temos recebido o nome. A fé se reduz a uma idéia mais conforme com a Filosofia natural do que com a os versículos dos evangelhos.
Temos que nos perguntar se damos a Deus o que é de Deus. Porque, embora sabendo que Ele é o verdadeiro Senhor de nossas vidas muitas vezes O temos relegado a um segundo termo quando nos declaramos independentes ou buscamos nosso próprio bem no lugar da vontade que é absoluta no céu e que deveria ser também soberana na terra, como rezamos no Pai Nosso.
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 10,1-9 - 18.10.2014 - A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.

Pai,
que a perspectiva de dificuldades
a serem encontradas no apostolado
não me faça recuar da missão
de preparar o mundo
para acolher teu Filho Jesus.
São Lucas, Evangelista . Festa
Cor: Vermelho

Evangelho - Lc 10,1-9

A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 10,1-9

Naquele tempo:
1O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos
e os enviou dois a dois, na sua frente,
a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir.
2E dizia-lhes:
"A messe é grande,
mas os trabalhadores são poucos.
Por isso, pedi ao dono da messe
que mande trabalhadores para a colheita.
3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
4Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias,
e não cumprimenteis ninguém pelo caminho!
5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro:
`A paz esteja nesta casa!'
6Se ali morar um amigo da paz,
a vossa paz repousará sobre ele;
se não, ela voltará para vós.
7Permanecei naquela mesma casa,
comei e bebei do que tiverem,
porque o trabalhador merece o seu salário.
Não passeis de casa em casa.
8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos,
comei do que vos servirem,
9curai os doentes que nela houver
e dizei ao povo:
`O Reino de Deus está próximo de vós'".
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Lc 10, 1-9

O Evangelho de hoje, reconhecidamente vocacional, nos traz frases chaves, que são essenciais para que a nossa missão tenha êxito: “pedi ao dono da messe”, ou seja, a prática da oração; “eis que vos envio”, porque agimos em nome de Jesus e na sua obra; “não leveis bolsa...” porque os valores materiais não dão garantia do sucesso do trabalho evangelizador; “dizei primeiro: ‘a paz...’”, porque devemos ser anunciadores do Evangelho da paz; “permanecei”, pois se não há comunhão, não pode haver evangelização; “curai os doentes”, ou seja, entregue-se à prática libertadora para que haja vida em abundância; “e dizei ao povo”, para que a Palavra seja anunciada, mas o anúncio seja acompanhado da prática evangélica.
Fonte CNBB



A MISSÃO DOS SETENTA E DOIS Lc 10,1-9
HOMILIA

A paz de Deus excede ao nosso conhecimento humano, porém, mesmo assim, todos nós somos enviados a abrir o caminho para o Senhor que deseja levar a Sua paz ao mundo. Jesus é a paz e através de nós Ele quer entrar nas casas e nos corações. A nossa missão é muito importante: somos trabalhadores da messe do Senhor, missionários do Seu amor.
O evangelho escreve setenta e dois os escolhidos e outros, significa dizer que esses setenta e dois somos todos nós que chamados para a missão, devemos ter firme o propósito de evangelizar toda criatura sem medo, sem preocupação, totalmente desprendido dos afazeres domésticos ou profissionais. Mas Jesus faz uma alerta que a missão não é fácil, faz-se necessário tomar algumas precauções, pois iremos encontrar sempre adversários por onde passarmos. Contudo não podemos parar, pois o Reino de Deus está próximo.
Cada um de nós é chamado a ser mensageiro da paz de Jesus e Ele nos ensina a levar a paz deixando de lado tudo o que pesa e complica a nossa vida. Bolsa, sacola, sandálias significam as coisas que acumulamos dentro de nós e que prejudicam o nosso relacionamento com Deus e com os irmãos: ódio, ressentimento, discriminação, julgamentos, riquezas, apegos etc.. Ele nos envia e nos orienta a fim de que o nosso trabalho seja frutuoso e não nos percamos no meio do caminho.
A nossa postura, como anunciadores da Palavra, deve ser de prudência, pois, na nossa trajetória nós iremos enfrentar lobos ferozes, isto é, pessoas que estão a serviço do mal. Porém a nossa confiança no Senhor nos fará vencer todos os desafios. A nossa vida com as nossas ações do dia a dia deve ser o itinerário que nós percorremos para manifestar Jesus no mundo, pois a todo o momento, e em qualquer circunstância, nós encontramos os doentes, os necessitados da paz, os carentes de amor e de atenção.
A essas pessoas é que Jesus nos envia. Ele nos dá a paz e providencia tudo o quanto for preciso para que a nossa missão tenha sucesso. Por isso não podemos perder tempo: o dia é hoje e a hora é agora e talvez nem precisemos ir muito longe da nossa casa.
Será que não existe aí perto de você alguém que precisa conhecer a Salvação e a cura? – Para você é difícil falar de Jesus para alguém? – Você tem visitado o coração de alguém que precisa de paz? Como você tem feito isto? Você tem deixado de lado os seus conceitos humanos?
Pai, que a perspectiva de dificuldades a serem encontradas no apostolado não me faça recuar da missão de preparar o mundo para acolher teu Filho Jesus.
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla