segunda-feira, 1 de setembro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 4,38-44 - 03.09.2014 - Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado.

Pai,
que a presença de Jesus em minha vida
seja motivo de libertação,
de modo que eu possa servir com alegria
o meu próximo, especialmente, os mais necessitados.
Branco. 4ª-feira da 22ª Semana Tempo Comum
S. Gregório Magno PpDr, memória

Evangelho - Lc 4,38-44

Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus
também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 4,38-44

Naquele tempo:
38Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão.
A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta,
e pediram a Jesus em favor dela.
39Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre,
e a febre a deixou.
Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los.
40Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes
atingidos por diversos males,
os levaram a Jesus.
Jesus colocava as mãos em cada um deles e os curava.
41De muitas pessoas também saíam demônios,
gritando: 'Tu és o Filho de Deus.'
Jesus os ameaçava, e não os deixava falar,
porque sabiam que ele era o Messias.
42Ao raiar do dia, Jesus saiu,
e foi para um lugar deserto.
As multidões o procuravam e, indo até ele,
tentavam impedi-lo que os deixasse.
43Mas Jesus disse:
'Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus
também a outras cidades,
porque para isso é que eu fui enviado.'
44E pregava nas sinagogas da Judéia.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Lc 4, 38-44

Por que as pessoas procuram a religião? A maioria das pessoas que procuram a religião o faz por motivos egoístas, procuram a Deus para fazer dele seu servidor, querem proteção, saúde, sucesso econômico, profissional, social ou afetivo, ou fogem do medo do desconhecido, do sobrenatural ou da própria morte. Devemos procurar na religião um relacionamento pessoal e amoroso com o próprio Deus, para que possamos servi-lo amando os nossos irmãos e irmãs. Para isso, precisamos conhecer o Evangelho, no qual Jesus anuncia a boa nova do Reino de Deus. A partir do conhecimento do Evangelho, vamos nos sentir apelados por Deus para a vivência concreta do amor e, a partir de uma resposta positiva a esse apelo, teremos um relacionamento maduro e amoroso com Deus.
Fonte CNBB



BOAS NOTÍCIAS PARA TODOS Lc 4,38-44
HOMILIA

Jesus se decide abandonar a sinagoga. Por que razão não se diz. Mas pelo que se pode entender, Ele quer transformar e fazer do ambiente familiar, simbolizado pela casa da sogra de Simão, no lugar de oração, de cura e libertação. De paz e justiça, de amor e partilha de alegria e sucessos, de misericórdia e perdão. Faz do ambiente familiar o lugar de saúde e  vida. Portanto a casa, lar, família é o lugar privilegiado para se construir as nossas sociedades. Assim, numa sociedade como a nossa onde o conceito de família está devaza, Cristo chama o casal cristão a ser estrutura sustentadora de uma família capaz de encontrar relações novas, não ditadas pela carne e o sangue, mas pela vida nova que Cristo confere pelo Batismo. Isto reduz o egoísmo, e faz com que cresça a caridade, dom do Espírito e se realize a Igreja doméstica.
            Jesus toma conhecimento da doença que afeta os casais e aí ele foi, parou ao lado da cama dela e deu uma ordem à febre. Este gesto apela primeiro pelo zelo apostólico dele e por outra me chama a mim pastor de alma a visitar, entrar e abeirar-me dos leitos de muitos homens e mulheres que estão doentes e deitados sem forças para levantar a cabeça, o corpo e servir os seus como deveriam fazer.
            Veja que na casa a mulher, personificada na sogra de Simão, é valorizada na sua prática do serviço, que é a característica fundamental do Reino. Um outro pormenor a considerar é que a cena narrada se passa num sábado, dia do culto na sinagoga. Neste dia todo trabalho cessava, e só era permitido caminhar-se uma curta distância. Ao pôr-do-sol termina o dia do sábado, começando o primeiro dia da semana. É a introdução do domingo, o dia por excelência para nós cristãos. O povo, liberado das restrições legais prefiguradas pelo sábado legal, que ao invés de salvar, condenava, de dar vida matava,  acorre a Jesus, que os curava, os liberta e salva. Esta deve ser a minha e a tua atitude: Fazendo-te recordar o que falávamos ontem, nas culturas antigas, muitas doenças físicas e mentais eram atribuídas a um ser imaginário, o demônio. Jesus, porém, na sua prática, vai revelando que os males da humanidade resultam, principalmente, do poder opressor, da falta de carinho, amor, ternura, paz, justiça, reconciliação, diálogo, atenção e falta de Deus na comunidade família que deveria construtora de vidas novas.
            Neste trabalho é preciso que a comunidade e os evangelizadores saibam que ela está a serviço de Deus e não a busca de privilégios ou de poder. Que ela tenha as portas abertas para todos. O meu e o teu serviço é levar todos os enfermos, quer os da família de sangue quer não: todos os que tinham amigos enfermos, com várias doenças, os levaram a Jesus. Ele pôs as suas mãos sobre cada um deles e os curou.
            A ti me dirijo recordando-te que como  apóstolo és enviado e  ordenado para anunciar a Palavra de modo que trazendo todos os enfermos quer corporais quer espirituais possam ser curados e entendam Deus na Pessoa do Seu Filho, Jesus Cristo, acolhe, liberta, perdoa e anuncia a verdade do Reino: a Vida Eterna. Esta missão do Filho de Deus te compromete e interpela a seres o homem, a mulher que acolhendo maus e bons, sejas a mão, a braço, a boca, o coração e a mente convertendo-te em discípulo e missionário do Mestre para o mundo conheça a Verdade e conhecendo a Verdade se possa salvar. Peçamos hoje a Deus o ardor missionário.
Pai, que a presença de Jesus em minha vida seja motivo de libertação, de modo que eu possa servir com alegria o meu próximo, especialmente, os mais necessitados.
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

domingo, 31 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 4,31-37 - 02.09.2014 - Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!

Pai,
faze-me forte para enfrentar e vencer
as forças malignas que cruzam meu caminho,
tentando afastar-me de ti.
Como Jesus, quero abalar o poder do mal deste mundo.
Verde. 3ª-feira da 22ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Lc 4,31-37

Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 4,31-37

Naquele tempo:
31Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia,
e aí ensinava-os aos sábados.
32As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento,
porque Jesus falava com autoridade.
33Na sinagoga, havia um homem
possuído pelo espírito de um demônio impuro,
que gritou em alta voz:
34'O que queres de nós, Jesus Nazareno?
Vieste para nos destruir?
Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!'
35Jesus o ameaçou, dizendo:
'Cala-te, e sai dele!'
Então o demônio lançou o homem no chão,
saiu dele, e não lhe fez mal nenhum.
36O espanto se apossou de todos
e eles comentavam entre si:
'Que palavra é essa?
Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder,
e eles saem.'
37E a fama de Jesus se espalhava
em todos os lugares da redondeza.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Lc 4, 31-37

As pessoas ficam admiradas com Jesus, porque ele ensina como quem tem autoridade. De onde vem a autoridade de Jesus? Não é uma autoridade política, pois Jesus não ocupava nenhum cargo importante na sociedade, e não é uma autoridade religiosa institucional, já que Jesus não tinha nenhuma função importante no templo ou na sinagoga. Podemos afirmar que a sua autoridade vem de si próprio, pois ele é Deus, mas o povo não sabia disso. O povo percebe a autoridade de Jesus a partir da coerência entre a sua pregação e a sua vida, compromissada com os pobres, necessitados e oprimidos, numa constante e vitoriosa luta contra todo tipo de mal.
Fonte CNBB



O HOMEM DOMINADO POR UM DEMÔNIO Lc 4,31-37
HOMILIA

Os demônios. Nas civilizações primitivas acreditava-se que a vida humana era influenciada, para o bem e para o mal, pelos espíritos dos mortos e por outros seres imaginários que, na versão grega da Bíblia, têm em geral o nome de demônios. Estes, depois, foram aparecendo como os causadores de males aos homens. No Antigo e no Novo Testamento são chamados também “espíritos maus” ou “impuros”, aos quais são atribuídas doenças, sobretudo do foro neurológico. O forte monoteísmo do povo de Israel atenuou a influência das demonologias das civilizações com que esse povo contatou (as do Médio Oriente e do Egipto). Atribuía-se então a Javé tudo o que de bom e de mau acontecia aos homens. Depois do aprofundamento religioso promovido pelos profetas do exílio e do pós-exílio, a idéia da santidade e misericórdia de Deus favoreceu o regresso à crença de que os males humanos se devem à ação dos espíritos demoníacos, sendo provável que para isso tenha contribuído a demonologia persa com a qual os judeus estiveram em contacto nos 40 anos do exílio. No NT, o termo demônio é usado (63 vezes) no mesmo sentido do AT e do judaísmo do tempo. Os demônios seduzem o homem, apoderam-se dele (possessão), causam-lhe males. Jesus Cristo veio dar-lhes combate, libertando os homens do seu poder. Por vezes os demônios expulsos são muitos. Jesus Cristo chega a ser maldosamente acusado de expulsar os demônios em nome de *Belzebu, o chefe deles (Mt 12,22 e ss). O poder de Jesus Cristo sobre os demônios começa a aparecer como símbolo da salvação. Os Apóstolos recebem poder de continuar esta luta vitoriosa
Até o espírito imundo dava testemunho de quem era Jesus. "Sei muito bem quem é você: é o Santo que Deus enviou!" Jesus estava apenas começando a sua missão no dia em ele expulsou aqueles demônios. Eram vários. Porque um deles disse: O que você quer de nós?
Estamos diante de um texto que nos remete ao tempo de Jesus. Assim, como bom Judeu num dia de Sábado, entra no templo de Cafarnaum e  começa a ensinar os seus discípulos, que por falta de conhecimento científico não só neles mas também para todas pessoas do seu tempo, a ignorância sobre o funcionamento do corpo humano, fazia com que se atribuísse aos demônios algumas enfermidades. Tal fenômeno acontecia, sobretudo, com os transtornos psíquicos, as enfermidades mentais, nas quais o modo de agir do enfermo gritos, falta de controle dos movimentos, ataques, era o que mais chamava a atenção. É neste ambiente que surge o homem que Lucas nos descreve como sendo possuído por demônio e que levantando a voz grita: Ei, Jesus de Nazaré! O que você quer de nós? Você veio para nos destruir? Sei muito bem quem é você: é o Santo que Deus enviou!
 A palavra louco era o equivalente a dizer endemoniado. Passando a ser o mesmo que dizer impuro ou seja possuído por um espírito impuro, o diabo. O impuro é o que está carregado de forças perigosas e desconhecidas, como o puro é o que tem poderes positivos. Quem se aproxima do impuro, não pode aproximar-se de Deus. E por isso todos fugiam deste homem segundo a lei latente no livro do Levítico. À medida em que o povo foi evoluindo de uma religião mágica para uma religião de responsabilidades pessoais, essas idéias foram caindo em desuso. E Jesus aboli de uma vez por todas esta lei. E o que prova isto é que a cerimônia do exorcismo acontece dentro da sinagoga para fazer entender que também o excluído do povo tinha direito de se salvar porque é filho de Deus. Também poderia participar da mesa dos filhos, e poderia falar com Deus na oração. É membro do corpo místico de Cristo, é membro da igreja. O fato de cena acontecer no interior da sinagoga é que é nela que se reunia todo o povo aos sábados para assistir à oração e escutar o rabino ou qualquer outro que quisesse fazer o comentário dos textos da Escritura que se havia lido. Era um lugar familiar, mais popular e mais leigo, já que nela se podia falar livremente, interromper, e não era necessária a presença de nenhum ministro sagrado. O rabino era um mestre-catequista. E Jesus aproveita esta familiaridade para incluir o irmão através a expulsão do demônio: Cale a boca e saia deste homem! Diante de todos, ao que o demônio obedece e sai.
Sem querer chegar ao conceito puro-impuro dos tempos antigos, muitos enfermos do tipo subnormais, loucos, homossexuais, lésbicas, drogados, adúlteros, alcoólatras etc., estão hoje marginalizados da comunidade. Os sadios se safam deles, querem escondê-los como uma vergonha familiar, não se lhes dão oportunidades de reabilitação para que possam contribuir para a sociedade. São os verdadeiramente os novos impuros. Precisamos pedir a Jesus que afugente para longe de nós toda ação diabólica. Que Jesus mantenha satanás distante do nosso lar, que não exerça nenhuma influência na mente dos nossos filhos e de todos os jovens.  Precisamos também, com a ajuda de Deus, expulsar outros demônios da nossa vida aqueles representados, por exemplo, pelas bebedeiras exageradas geralmente dos maridos que mais que uma vez por semana "enchem a cara" e ao chegar em casa, maltratam mulher e filhos. Qual tem sido a tua posição ante o teu parente que vive esta situação? Não te esqueça que o sinal de Jesus neste Evangelho de hoje é sinal de que a casa de Deus, a comunidade cristã, está aberta também para esses homens e mulheres diminuídos. É sinal de Libertação: Deus valoriza e tem para eles um lugar e uma missão. Basta que tu lance a mão à obra e te convertas em verdadeiro discípulo e missionário de Jesus Cristo e a notícia de Jesus se espalhará por toda a parte, fazendo com que haja um só Pastor e um só rebanho no mundo inteiro.
           
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 4,16-30 - 01.09.2014 - Ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres. Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.

Pai,
que as contrariedades da vida
jamais me impeçam de seguir
o caminho que traçaste para mim.
Com Jesus, quero seguir sempre adiante!
Verde. 2ª-feira da 22ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Lc 4,16-30

Ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres. Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 4,16-30

Naquele tempo:
16Veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado.
Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado,
e levantou-se para fazer a leitura.
17Deram-lhe o livro do profeta Isaías.
Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito:
18'O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque ele me consagrou com a unção
para anunciar a Boa Nova aos pobres;
enviou-me para proclamar a libertação aos cativos
e aos cegos a recuperação da vista;
para libertar os oprimidos
19e para proclamar um ano da graça do Senhor.'
20Depois fechou o livro,
entregou-o ao ajudante, e sentou-se.
Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.
21Então começou a dizer-lhes:
'Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura
que acabastes de ouvir.'
22Todos davam testemunho a seu respeito,
admirados com as palavras cheias de encanto
que saíam da sua boca.
E diziam: 'Não é este o filho de José?'
23Jesus, porém, disse:
'Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio:
Médico, cura-te a ti mesmo.
Faze também aqui, em tua terra,
tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum.'
24E acrescentou:
'Em verdade eu vos digo que nenhum profeta
é bem recebido em sua pátria.
25De fato, eu vos digo:
no tempo do profeta Elias,
quando não choveu durante três anos e seis meses
e houve grande fome em toda a região,
havia muitas viúvas em Israel.
26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias,
senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.
27E no tempo do profeta Eliseu,
havia muitos leprosos em Israel.
Contudo, nenhum deles foi curado,
mas sim Naamã, o sírio.'
28Quando ouviram estas palavras de Jesus,
todos na sinagoga ficaram furiosos.
29Levantaram-se e o expulsaram da cidade.
Levaram-no até ao alto do monte
sobre o qual a cidade estava construída,
com a intenção de lançá-lo no precipício.
30Jesus, porém, passando pelo meio deles,
continuou o seu caminho.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Lc 4, 16-30

Jesus é o ungido do Pai que veio ate nós com a missão de evangelizar os pobres, ou seja, de tornar membro do Reino dos Céus todos os que colocam a sua esperança no Senhor. A sua vida terrena não foi outra coisa senão o pleno cumprimento dessa missão.Ele anunciou a liberdade dos filhos de Deus e a libertação dos cativos do pecado e da morte, curou os cegos, de modo que todos podem enxergar além do mero horizonte da realidade natural, lutou contra todo tipo de injustiça que é causa de opressão e anunciou a presença do Reino da graça e da verdade. Assim, Jesus também nos mostra o que é necessário para que a Igreja, o seu Corpo Místico, seja fiel à sua missão de continuadora da sua obra.



JESUS EM NAZARÉ Lc 4,16-30
HOMILIA

Jesus de Nazaré foi um judeu da Galileia onde passou quase toda a sua vida e desenvolveu a maior parte da sua atividade pública. Ora, os estudos recentes mostraram as particularidades da Galileia de então nos domínios social, cultural e religioso. No entanto, a interpretação dessas particularidades é objeto de discussão entre os especialistas. Do ponto de vista social, a Galileia parece ter conhecido nesse tempo um processo de urbanização, que afundou o fosso entre as classes detentoras do religioso. O judaísmo da Galileia tinha traços que o distinguiam do judaísmo de Jerusalém ou da Judeia em geral. O enraizamento de Jesus na Galileia talvez não tenha influenciado somente a formulação de sua mensagem.
            Os Evangelhos atribuem a Jesus uma atividade bastante variada que parece supor o desempenho de vários papéis ou funções sócio-religiosas. Jesus proclama a vinda iminente do Reino de Deus como um profeta, ensina como um doutor ou um sábio, cura doentes e exorciza possessos como um homem que está investido do poder de Deus. Parece difícil colar uma etiqueta a Jesus. Os historiadores privilegiam, segundo as suas próprias tendências, ora um ora outro dos papéis que os Evangelhos lhe atribuem, às vezes com a exclusão dos restantes. Ora, tal exclusão não se impõe, podendo um homem de Deus desempenhar ao mesmo tempo mais do que uma função. Tudo indica que os contemporâneos de Jesus viram nele um profeta. Há duas séries de textos evangélicos particularmente significativas a esse respeito. A primeira, que se lê em Mc 6,15 e em Lc 9,8, conta a reação de Herodes perante a fama de Jesus. A segunda, presente nos três Evangelhos sinópticos, relata a chamada confissão de Pedro. As duas séries de textos informam sobre o que a opinião pública pensava de Jesus. Para uns, Jesus era João Batista ressuscitado; para outros, Elias; para outros, enfim, um dos profetas de outrora que ressuscitou. Jesus é ainda chamado profeta pela multidão ou por um ouvinte individual em vários outros textos próprios a um ou a outro evangelho.
            Ao falar na Sinagoga, Jesus assumia as palavras de Is 61, 1-2 as quais anunciavam a todas as nações a Sua missão de ungido do Senhor. Este trecho nos relata o ministério de Jesus aqui na terra que se constitui também na nossa missão, pelo poder do Espírito Santo: anunciar a boa nova, proclamar a libertação dos cativos, recuperar a vista aos cegos, livrar os oprimidos e proclamar o perdão do Senhor! Todos nós que somos batizados em Cristo temos também esta vocação.
Pela palavra que anunciamos, pela oração que fazemos ou pelo nosso testemunho, todas estas coisas acontecem àqueles a quem nós nos dirigimos. Naquele tempo o povo de Nazaré não acreditou em Jesus porque Ele era de casa, mas mesmo assim Ele não desistia dos seus. É difícil para nós também anunciarmos Jesus na nossa casa ou evangelizar as pessoas no lugar onde todos nos conhecem. Nem sempre somos acolhidos e admirados porque seguimos os ensinamentos de Deus. Assim foi também no tempo de Jesus. Por isso é que Ele nos recorda as figuras de Elias que fez prodígios na vida de uma viúva que não pertencia ao povo de Israel e Naamã, o sírio, que procurou Eliseu longe da sua terra para ser curado da lepra. Às vezes não fazemos sucesso onde queríamos, mas o Senhor nos envia a alguém a quem nem imaginamos, para que por nosso meio ela possa obter cura e libertação.
A quem você se sente chamado a evangelizar? Para você o que é evangelizar? O que você tem feito para atrair os seus para uma vida melhor? Você tem visto algum progresso na sua família por causa do seu testemunho de vida? Você continua insistindo? Você sente o poder do Espírito Santo quando fala no nome de Jesus Cristo? Como você acolhe aqueles que lhe anunciam a Palavra da Verdade? Diante dos seus erros e falhas, você aceita de bom coração as correções? Os conterrâneos de Jesus não o acolheram. E você?
Pai, que as contrariedades da vida jamais me impeçam de seguir o caminho que traçaste para mim. Com Jesus, quero seguir sempre adiante!
Fonte Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 16,21-27 - 31.08.2014 - Se alguém quer me seguir renuncie-se a si mesmo.

Pai,
coloca-me em sintonia com teu Filho Jesus,
cuja morte resultou da fidelidade a ti,
sem temer seguir o caminho que traçaras para ele.
Verde. 22º DOMINGO Tempo Comum

Evangelho - Mt 16,21-27

Se alguém quer me seguir renuncie-se a si mesmo.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 16,21-27

Naquele tempo:
21Jesus começou a mostrar a seus discípulos
que devia ir à Jerusalém
e sofrer muito da parte dos anciãos,
dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei,
e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia.
22Então Pedro tomou Jesus à parte
e começou a repreendê-lo, dizendo:
'Deus não permita tal coisa, Senhor!
Que isto nunca te aconteça!'
23Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse:
'Vai para longe, Satanás!
Tu és para mim uma pedra de tropeço,
porque não pensas as coisas de Deus
mas sim as coisas dos homens!'
24Então Jesus disse aos discípulos:
'Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo,
tome a sua cruz e me siga.
25Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la;
e quem perder a sua vida por causa de mim,
vai encontrá-la.
26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro
mas perder a sua vida?
O que poderá alguém dar em troca de sua vida?
27Porque o Filho do Homem
virá na glória do seu Pai, com os seus anjos,
e então retribuirá a cada um de acordo com a sua
conduta.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



REFLEXÃO
Sem vencer o medo da morte não será possível ser livre para seguir o Senhor.

O profeta Jeremias viveu no período que, para Israel, foi como um buraco negro: o exílio na Babilônia, no século VI a.C. É por ocasião desse acontecimento terrível que Jeremias é chamado por Deus para ser “profeta das nações”. Jeremias resistiu o quanto pôde a responder afirmativamente ao chamado do Senhor. Cedendo à vontade de Deus, foi fiel até o fim. Sua missão fundamental foi a de denunciar a idolatria e a infidelidade dos dirigentes do povo, e o mal das nações estrangeiras. Em razão de sua fidelidade a Deus, ele foi perseguido e sua vida ameaçada pelos membros do próprio povo eleito de Deus. O texto de hoje, dito autobiográfico, retrata, por um lado, a angústia da perseguição e do abandono, mas, de outro, a experiência do cuidado e proteção de Deus. A presença de Deus na vida de Jeremias era como um fogo que queimava dentro do peito e não o deixava desistir da missão recebida de Deus.
O evangelho de hoje é a sequência da profissão de fé de Pedro. O anúncio da paixão, morte e ressurreição de Jesus é uma prolepse que tem por finalidade esclarecer os discípulos acerca do messianismo vivido por Jesus. A reação de Pedro revela o seu desapontamento: Jesus não é exatamente o Messias que ele pensava ter encontrado. A atitude de Pedro de dissuadir Jesus de prosseguir o seu caminho não é preocupação com Jesus. Além da ideia distorcida do Messias, é preocupação com a sua própria sorte. O Messias que Pedro segue não se exime do sofrimento. A palavra de Jesus a Pedro é dura, semelhante à usada contra a sugestão de satanás, quando das tentações no deserto (cf. Mt 4,1-11). Desejar sofrer é insanidade, mas quando o sofrimento é consequência da adesão a Deus, ele deve ser vivido na confiança, pois o Senhor permanece fiel, mesmo quando lhe somos infiéis. Seguir Jesus impõe superar, pela mesma graça de Cristo que se entregou pela humanidade, o medo da morte. Sem vencer o medo da morte não será possível ser livre para seguir o Senhor.

Fonte Carlos Alberto Contieri, sj - Paulinas



VAI PARA LONGE SATANÁS Mt 16,21-27
HOMILIA

Depois de Pedro ter reconhecido em Jesus o Cristo provocou-se uma relação especial entre Jesus e ele pois, Jesus por Sua reconheceu e ratificou o que o Pai quis no domingo passado. No de hoje, vemos que para Pedro a relação, entre ele e Jesus é ambígua e dá um vacilo que foi bem aproveitado pelo demónio.
Jesus porém, tenta contrapor à possibilidade de um profundo mal-entendido, a verdade quanto à sua missão. Era um esforço, para que ninguém, dentre os discípulos (e dentre nós) se iludisse com falsos triunfalismos. É preciso ter consciência de que a seqüela de Jesus não conduz a sucessos aplaudidos pela multidão, mas sim passa pela cruz, pelo sofrimento. Pela Paixão-Morte-Ressurreição. Na mente de Pedro a questão era simples: se Jesus é o Cristo, se as Escrituras apresentam a vitória final e definitiva de Deus sobre o mal e os inimigos dos homens de bem, consequentemente Jesus terá sucesso. E por isso O repreende: Que Deus não permita! Isso nunca vai acontecer com o senhor!
A resposta de Jesus não tardou em vir, recordando a Pedro qual é a lógica de Deus: longe de mim, Satanás! Jesus mostra a Pedro quanto a sua atitude esteja perto da de Satanás, que atrai os homens com milagres e portentos, com sucesso e aprovação. Jesus mesmo fez experiência da sutil maldade do Adversário e daquelas artimanhas que atraem o homem com a ilusão de resultados eficientes a curto prazo. Continuar por aquele caminho conduziria com certeza Pedro a se associar ao Adversário.
A Escritura, inúmeras vezes, nos apresenta a fonte do pecado como ligada à decisão de um homem no momento em que escolhe prescindindo de Deus; sem sequer 'perguntar' ou 'ouvir'. Talvez, mais que a associação com Satanás, a Pedro tenha doído muito mais a expressão que encontramos no versículo seguinte: «tu és para mim escândalo»; trata-se de um hábil jogo de palavras de Jesus que recordava a Pedro -e a todo discípulo- que o novo nome que ele tinha recebido, 'pedra' (que era o atributo dado ao próprio Jahvé, a 'rocha' de Israel), poderia significar tanto uma pedra para construir quanto uma pedra que dificulta o caminho. Tudo depende da atitude que alguém toma quando anda com Jesus. Então, à firme advertência a Pedro, Jesus acrescentava também um conselho, uma indicação para o caminho correto. A palavra 'afasta-te', significa algo mais importante; indica o gesto de quem se 'deixa conduzir', que fica atrás. Também tem o sentido de 'prender-se ao jugo'.
Esta figura, a do boi que se deixa prender ao jugo, era querida por Jesus: «tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde» (Mt.11,29). É uma imagem emblemática, pois responde àquela presunção de saber 'como e quando' com a escolha de perder a própria autonomia, a independência como um boi ao lado de um outro. Significa escolher de não antecipar o tempo e o caminho que Deus deseja que percorramos, mas percorre-lo passo a passo com o tempo do outro.
Ter a certeza da vitória definitiva do amor sobre o egoísmo, do bem sobre o mal, não exime ninguém de percorrer o mesmo caminho de Jesus, pois é o próprio caminho que gera a comunhão com Ele, não o resultado. Quem tentou colocar emparelhados dois animais sabe muito bem que isto é dificílimo inicialmente, a não ser que os dois 'aprendam' a estar juntos, passo a passo, lentamente, obstáculo após obstáculo. Mas sempre unidos tanto quanto um boi está preso a outro. Nisto está a força que uma junta de boi produz, maior que a soma da de cada um. Presunção ou humildade, confiança ou protesto, isto faz a diferença entre um discípulo de Cristo e um «inimigo da cruz de Cristo» (Fil. 3,18) atributo que Paulo dispensa àqueles que desejam resultados. Assim, o jugo se transforma também em 'cruz' para Jesus, carregar o jugo é carregar a cruz.
Longe de toda visão piedosista ou melodramática com a qual ligamos um sentimento passivo e negativo à cruz, é preciso lembrar que para Jesus a cruz tinha um outro significado.
O cristão não é um "resignado" que deve "carregar" um peso como um destino que Deus faz recair sobre ele. Este não é o nosso Jesus! A cruz, foi para Ele mais do que um símbolo de sofrimento, foi o símbolo do amor até o sofrimento.
Deste modo as palavras de Jesus poderiam ressoar assim: assumam sobre vós aquilo que Eu assumi como sentido da minha vida, até o fim amem, aqui está a vida. O medo de perder fará perder de fato a vida.
Vida é proximidade com Deus, com Jesus, por aquilo que der e que vier; o resto é morte é o reino de Satanás.
Fonte Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 25,14-30 - 30.08.2014 - Como foste fiel na administração de tão pouco, vem participar de minha alegria.

Pai,
transforma-me em discípulo responsável
que sabe aproveitar cada circunstância
para fazer frutificar os dons que me concedes,
colocando-os a serviço do meu próximo.
Verde. Sábado da 21ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 25,14-30

Como foste fiel na administração de tão pouco, vem participar de minha alegria.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 25,14-30

Naquele tempo,
Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
14Um homem ia viajar para o estrangeiro.
Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens.
15A um deu cinco talentos,
a outro deu dois e ao terceiro, um;
a cada qual de acordo com a sua capacidade.
Em seguida viajou.
16O empregado que havia recebido cinco talentos
saiu logo,
trabalhou com eles, e lucrou outros cinco.
17Do mesmo modo, o que havia recebido dois
lucrou outros dois.
18Mas aquele que havia recebido um só,
saiu, cavou um buraco na terra,
e escondeu o dinheiro do seu patrão.
19Depois de muito tempo, o patrão voltou
e foi acertar contas com os empregados.
20O empregado que havia recebido cinco talentos
entregou-lhe mais cinco, dizendo:
`Senhor, tu me entregaste cinco talentos.
Aqui estão mais cinco que lucrei'.
21O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel!
como foste fiel na administração de tão pouco,
eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
22Chegou também o que havia recebido dois talentos,
e disse:
`Senhor, tu me entregaste dois talentos.
Aqui estão mais dois que lucrei'.
23O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel!
Como foste fiel na administração de tão pouco,
eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento,
e disse: `Senhor, sei que és um homem severo,
pois colhes onde não plantaste
e ceifas onde não semeaste.
25Por isso fiquei com medo
e escondi o teu talento no chão.
Aqui tens o que te pertence'.
26O patrão lhe respondeu: `Servo mau e preguiçoso!
Tu sabias que eu colho onde não plantei
e que ceifo onde não semeei?
27Então devias ter depositado meu dinheiro no banco,
para que, ao voltar,
eu recebesse com juros o que me pertence.'
28Em seguida, o patrão ordenou:
`Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez!
29Porque a todo aquele que tem
será dado mais, e terá em abundância,
mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado.
30Quanto a este servo inútil,
jogai-o lá fora, na escuridão.
Ali haverá choro e ranger de dentes!'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Mt 25, 14-30

Um dos maiores perigos que ameaçam a verdadeira vivência da fé é o medo. Este medo faz com que não sejamos capazes de produzir os frutos exigidos pelo Reino de Deus. Mas esse medo sempre aparece com máscaras que nos enganam e uma das mas sutis que encontramos é aquela que é confundida com a virtude da prudência. Perguntamos se é prudente fazer isso ou aquilo e em nome da prudência justificamos o nosso medo. Nesta hora, devemos nos recordar de Maria, a Virgem prudentíssima, que não julgou prudente conversar com José antes de responder ao Anjo ou ficou esperando a vida inteira pelo milagre de Caná.
Fonte CNBB


OS TRÊS EMPREGADOS Mt 25,14-30
HOMILIA

A parábola dos talentos ressalta a vigilância como atitude de quem se sente responsável pelo Reino. E quem recebeu talentos e não os faz render, pode ser demitido por “justa causa” do Reino. O Evangelho situa-se no quinto e último grande discurso escatalógico, ou aquele que trata do fim o último das coisas. O tema básico do discurso é a vigilância, ilustrada pela leitura dos sinais dos tempos, a parábola do empregado responsável, a das virgens prudentes e imprudentes, e que vai terminar festa de Cristo Rei, com o texto sobre o Juízo Final.
Por trás da parábola dos talentos, há um tempo de expectativa e de sofrimento. Na época em que Mateus escreveu o Evangelho, muitos cristãos estavam desanimados diante da demora da segunda vinda do Messias. Além disso, o converter-se à fé cristã acarretava perseguição e até morte. As comunidades se esvaziavam e o ardor por Jesus Cristo esmorecia. O Evangelista escreve com o objetivo de reanimar a fé.
Jesus apresenta-se como um senhor que, antes de empreender uma viagem, reúne seus empregados e reparte com eles sua riqueza para que a administrem. A um deu cinco talentos, a outros dois, e um ao terceiro: a cada um segundo sua capacidade. E viajou para longe. No retorno, ele pede contas. Os dois primeiros fizeram que os talentos rendessem em dobro. O último devolveu o talento tal qual tinha recebido, pois, com medo de arriscar, havia enterrado o talento. Curioso é o motivo de tal procedimento. Não tomou tal atitude por preguiça, mas por medo da severidade de seu senhor. Em conseqüência, os dois primeiros foram elogiados e recompensados pela eficiente administração e o último foi demitido por justa causa.
Tudo o que nós recebemos de Deus vem na medida certa, de acordo com a nossa capacidade, nem mais nem menos do que poderíamos receber. Portanto, cabe a cada um de nós assumirmos os talentos que Dele recebemos com humildade e perseverança, pois seremos cobrados pelo que auferimos. Às vezes nos subestimamos e entendemos que não possuímos dons como as outras pessoas e nos negamos a perceber qual a aptidão que nos foi presenteada por Deus. Neste caso estamos enterrando o talento, pois não queremos assumi-lo por falsa modéstia, por preguiça, por comodismo e até por orgulho. Aquele que se acha muito pequeno e, por isso, se encosta e se acomoda está cometendo um erro incorrigível. Será tirado dele até o dom que ele tinha inclinação para fazer prosperar e não o fez porque não o colocou em prática. Achar-se muito sem capacidade e não confiar na capacidade de Deus é o grande pecado de muitos de nós.
Não basta estar preparado, esperando passivamente a manifestação de Jesus. É preciso arriscar e lançar-se à ação, para que os dons recebidos frutifiquem e cresçam. Jesus confiou à comunidade cristã a revelação da vontade de Deus e a chave do Reino. No julgamento, ele pedirá contas por esse dom. A comunidade o repartiu e o fez crescer, ou o escondeu dos homens?
O que você tem feito com os seus dons? – Você se acha muito sem expressão, incapaz de realizar alguma coisa? – Não será porque você está confiando somente em você mesmo (a) e esquecendo-se Daquele que lhe deu a vida? – Você não acha que a sua vida já é um dom muito precioso? – O que você tem feito dela?
Pai, dá-me senso da responsabilidade e faze-me entender que o serviço amoroso e gratuito a meu próximo é o único caminho de fazer multiplicar os dons que de ti recebi.
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 6,17-29 - 29.08.2014 - Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista.

Pai,
que as contrariedades da vida
jamais me intimidem e impeçam de seguir adiante,
cumprindo minha missão de evangelizador.
Vermelho. Martírio de São João Batista, Memória

Evangelho - Mc 6,17-29

Quero que me dês agora, num prato,
a cabeça de João Batista.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 6,17-29

Naquele tempo,
17Herodes tinha mandado prender João,
e colocá-lo acorrentado na prisão.
Fez isso por causa de Herodíades,
mulher do seu irmão Filipe,
com quem se tinha casado.
18João dizia a Herodes:
"Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão".
19Por isso Herodíades o odiava
e queria matá-lo, mas não podia.
20Com efeito, Herodes tinha medo de João,
pois sabia que ele era justo e santo,
e por isso o protegia.
Gostava de ouvi-lo,
embora ficasse embaraçado quando o escutava.
21Finalmente, chegou o dia oportuno.
Era o aniversário de Herodes,
e ele fez um grande banquete para os grandes da corte,
os oficiais e os cidadãos importantes da Galiléia.
22A filha de Herodíades entrou e dançou,
agradando a Herodes e seus convidados.
Então o rei disse à moça:
"Pede-me o que quiseres e eu to darei".
23E lhe jurou dizendo:
"Eu te darei qualquer coisa que me pedires,
ainda que seja a metade do meu reino".
24Ela saiu e perguntou à mãe:
"O que vou pedir?"
A mãe respondeu:
"A cabeça de João Batista".
25E, voltando depressa para junto do rei, pediu:
"Quero que me dês agora, num prato,
a cabeça de João Batista".
26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar.
Ele tinha feito o juramento diante dos convidados.
27Imediatamente, o rei mandou
que um soldado fosse buscar a cabeça de João.
O soldado saiu, degolou-o na prisão,
28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça.
Ela a entregou à sua mãe.
29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá,
levaram o cadáver e o sepultaram.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Mc 6, 17-29

Todos nós temos dificuldades para viver a radicalidade exigida pelo Evangelho e diversas vezes nos acovardamos diante das ameaças. Uma das maiores ameaças que sofremos hoje, quando procuramos viver o Evangelho, encontra-se no fato de que a sociedade ridiculariza todos aqueles que não fundamentam a sua vida nos valores do mundo. Mas isso também acontecia nos tempos de Jesus, como podemos perceber na narrativa da morte de João Batista e no julgamento do próprio Jesus. Mas nós não podemos ceder aos mecanismos que são usados pelo mundo moderno contra o Evangelho; devemos expor com coerência as verdades da nossa fé.
Fonte CNBB



O MÁRTIR DA FÉ Mc 6,17-29
HOMILIA

Hoje celebramos o martírio de João, o Batista, aquele de quem Cristo disse: dos nascidos de mulher não há outro maior do que João, o Batista. Mas o menor no reino do céu é maior do que ele. É uma reflexão sobre minoridade, João escolheu a via menor, se fez pobre, vestia-se pobremente, comia gafanhotos e mel. Essa é a expressão de quem Mateus usa para expressar a humildade de João. E Jesus ainda diz: o menor no reino do céu é maior do que ele. Aqui temos que o Senhor demonstra que a sabedoria e o serviço estão no despojamento, na simplicidade, no profetismo sem recompensas. O profeta do Deus não é rico, nem poderá ser, e Jesus também revela que o menor, o mais pobre, o mais abandonado, o mais oprimido, no reino de Deus, isto é, na Vontade de Deus, ainda é maior que o maior.

Falando da morte de João Baptista, o papa João Paulo II diz na Carta Encíclica Veritatis splendor (cf. n. 91) que o martírio constitui um sinal preclaro da santidade da Igreja. Efectivamente, ele “representa o ponto mais alto do testemunho a favor da verdade moral. Se são relativamente poucas as pessoas chamadas ao sacrifício supremo, há, porém, um testemunho coerente que todos os cristãos devem estar prontos a dar em cada dia, mesmo à custa de sofrimentos e de graves sacrifícios. Assim tu meu irmão, minha irmã, não podes e nem deves fugir. Gostaria que soubesses que desde o início do cristianismo percebemos que três elementos estão quase sempre unidos: testemunho, profecia e doação da própria vida. É verdadeiramente necessário um compromisso, com estas três vias, por vezes heróicas, para não ceder, até mesmo na vida quotidiana: em casa com o marido, com os filhos, colegas do trabalho, com os familiares de perto ou de longe. É necessário saber que às dificuldades nos levam ao compromisso para viver na totalidade o Evangelho.

O exemplo heróico de João Baptista nos deve fazer pensar nos mártires da fé que, ao longo dos séculos, seguiram corajosamente as suas pegadas. De modo especial, voltemos à mente aos numerosos cristãos que, no mundo inteiro, foram vítimas do ódio, e da perseguição religioso. Mesmo hoje, nalgumas partes do mundo, os fiéis continuam a ser submetidos a duras provações, em virtude da sua adesão a Cristo e à sua Igreja. Os impérios opressores que existiram na história continuaram deixando seus mártires. Seus projetos elitistas e imperialistas fizeram com que seus chefes continuassem a embriagar-se com o sangue dos mártires. Portanto, o martírio não deve ser buscado por ninguém. Em última palavra, o martírio é uma graça de Deus. Mas, dele não se deve fugir, se é necessário dar o testemunho e para defender a vida do povo. Jesus também nos ensina que não devemos ter medo daqueles que matam o corpo. Por isso, dar a vida é a melhor forma de amor, a exemplo de Jesus que nos amou até o extremo.

O máximo do amor é dar a vida pelos seus. Deste modo, a vida não é tirada, mas é dada livremente. Foi isso que fez São João Batista em meio à crueldade que ameaçava a fidelidade conjugal, lutou e sendo testemunha e testemunho fiel derramou o seu sangue, pagando com a própria vida. Ontem como hoje, o banquete dos criminosos continua sendo regado a sangue, como foi o de Herodes como nós ouvimos no Evangelho de hoje. Por isso, lembrar a morte de João Batista é não deixar morrer sua história, é recordar o seu testemunho, sua profecia e sua coragem; é lembrar que, se preciso for, todos devemos estar dispostos a lavar as nossas vestes e as branquear no sangue do Cordeiro (Ap 7,14).

Pai, que as contrariedades da vida jamais me intimidem e impeçam de seguir adiante, cumprindo minha missão de evangelizador.


Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

terça-feira, 26 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 24, 42-51 - 28.08.2014 - Ficai preparados!

Pai,
faze de mim um servo fiel e prudente,
disposto a pautar toda a sua vida
pelos ensinamentos de teu Filho Jesus.
Que eu jamais seja insensato!
Branco. 5ª-feira da 21ª Semana Tempo Comum
Sto. Agostinho BDr, memória

Evangelho - Mt 24,42-51

Ficai preparados!

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 24,42-51

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos:
42Ficai atentos!
porque não sabeis em que dia virá o Senhor.
43Compreendei bem isso:
se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão,
certamente vigiaria e não deixaria
que a sua casa fosse arrombada.
44Por isso, também vós ficai preparados!
Porque na hora em que menos pensais,
o Filho do Homem virá.
45Qual é o empregado fiel e prudente,
que o senhor colocou como responsável pelos demais empregados,
para lhes dar alimento na hora certa?
46Feliz o empregado,
cujo senhor o encontrar agindo assim, quando voltar.
47Em verdade vos digo,
ele lhe confiará a administração de todos os seus bens.
48Mas, se o empregado mau pensar:
'Meu senhor está demorando',
49e começar a bater nos companheiros,
a comer e a beber com os bêbados;
50então o senhor desse empregado
virá no dia em que ele não espera,
e na hora que ele não sabe.
51Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas.
Ali haverá choro e ranger de dentes.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Mt 24, 42-51

Duas virtudes nos são colocadas pelo Evangelho de hoje: fidelidade e prudência. Servo fiel é aquele que não precisa ser vigiado o tempo todo a fim de realizar tudo o que é da sua competência, é aquele que merece a confiança do seu senhor, o que não quer dizer submissão cega e inconseqüente, mas sim a pessoa ser totalmente responsável por aquilo que faz. Prudência significa agir com cautela, procurando evitar todo tipo de erro, fugindo de todo mal, principalmente do pecado e de suas conseqüências, o que não quer dizer covardia e medo, mas sim uma busca de maior consciência dos próprios atos.
Fonte CNBB



O DIA É HOJE E A HORA É AGORA Mt 24,42-51
HOMILIA

Há muitos homens e mulheres que fazem de suas vidas a musica popular: “Deixa a vida me levar, vida leva eu”. Ou seja, dizem: “seja o que Deus quiser”, em referência a uma situação que não se sabe o que pode acontecer. Se você for dessas pessoas eu lhe digo, Vigie!
            Pois nossa vida, a vida de um cristão deve estar em Cristo e voltada somente para Ele, de sorte que não há o que se temer se estivermos nos braços do Altíssimo. Mas aí é que está. Precisamos estar nos braços de Deus, precisamos estar debaixo de Suas graças, sempre.
            Hoje Jesus está a nos alertar para o seu retorno, para a Sua vinda no último dia dos tempos. Neste capítulo 24, Jesus nos relata como se dará o fim dos tempos. Ele nos prometeu que irá ao Pai arrumar nossa morada e que voltará para nos buscar no dia em que tudo estiver preparado. Mas quando isto ocorrerá? Quando será este tão esperado dia? Como saberemos que este dia chegou, afinal? Não sabemos. Nem nos compete saber. Nem mesmo os anjos ou o próprio Jesus sabe qual será este momento. Somente o Pai, Deus. A nós, compete obedecer.
            Por isso Ele nos manda vigiar. Precisamos estar atentos em todos os momentos pois, aquele que não estiver em Cristo terá o mesmo destino dos hipócritas, ou seja, o será deixado para trás, aos dissabores do mundo, esse mundo cheio de mazelas, de injustiças, de depravação, que a esta altura já estará tão contaminado que estará sendo governado pelo próprio demo. Serão tempos de guerras que trarão fome e doenças em que o homem será destruído.
            O fim é certo. Ele voltará. Mas somente aqueles que Deus já escolheu é que serão conduzidos à morada eterna. E quem são estes? Pode ser eu ou pode ser você. Não sabemos. Por isso devemos vigiar nossas atitudes. Devemos estar sempre em oração pedindo forças para que as tentações não nos persigam e nos alcance. A nossa vida deve ser pautada em constante luta pois são muitas as tentações com que nos deparamos a cada minutos como a vaidade, o apego ao dinheiro, de caráter sexual, a impaciência, o egoísmo, entre outros. Se estivermos em oração e pautando nossa vida nos ensinamentos de Jesus, teremos mais chances de receber as graças de Deus.
            Portanto, ainda há tempo de se converte e reconciliar. Se converta. Transforme seu coração, sua vida. Renasça para Cristo. Procure por Jesus, o verdadeiro caminho, verdade e vida. Comece a pedir a vinda do Espírito Santo sobre você. Sem parar. Que Ele inunde seu coração. Se reconcilie com seu próximo, com aquele seu irmão que você brigou, libere o perdão para aqueles que de alguma forma te fizeram mal, agiram contra você, não diga a todos que os ama, mas os ame de verdade, dando por eles a vida se preciso for. Faça as pazes com Deus, volte a sua Igreja, esteja em comunidade. Dê mais valor às coisas do Alto como o amor, o perdão, a paz, a amizade. Mas esteja sempre em oração para que isto se torne uma constante. Para que o fogo abrasador, o fogo do Espírito Santo que habita em seu coração jamais se esfrie ou apague.
            Vigiai. Pois o fim é certo e está próximo. Neste dia haverá choro e ranger de dentes dos hipócritas e daqueles que não conheceram ou não quiseram conhecer a esse nosso Deus Vivo. Que estejamos preparados. Porque o dia é hoje e a hora é agora!
            Pai, faze de mim um servo fiel e prudente, disposto a pautar toda a sua vida pelos ensinamentos de teu Filho Jesus. Que eu jamais seja insensato!
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla